Problemas, divagações, aflições, dúvidas, emoções, vontades de apenas mais um Macho. Este homem moderno que ainda não achou seu lugar no mundo de hoje, mas não desiste de tentar.
DJKast #025 traz a vocês uma seleção esquisita. No primeiro bloco três músicas que independente da língua que você fale, não entende nada. No segundo somos solidários a todos os paulistanos que trabalham nessa quinta e aqueles que sequer tem feriado hoje. Por isso trago a praia até vocês. Espero que gostem.
Rolaram:
Snow - Informer Shaggy - Boombastic Raimundos - Nêga Jurema Bob Marley - Waiting in Vain Jack Johnson - Breakdown Bobby Mcferrin - Don't Worry, Be Happy Claudja - Brand New Day (Accoustic)
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Como sempre, se tiver qualquer dúvida, ou quiser pedir alguma música, basta me mandar um e-mail.
Sabe quando você está pensando em comprar um carro e por isso o começa a notar na rua? Parece que tem muitos não? Então, quando se termina um relacionamento é a mesma coisa. Parece que o carro de sua ex é o mais vendido do planeta. E lá vai você, automaticamente olhar a placa pra saber se é ela. Pra que? Não sei, já que se for o caso não pense em buzinar, gritar ou bater no carro dela. Mas acredito que tem a ver com a angustia/ansiedade do primeiro encontro pós-término.
Pois bem, ontem ele aconteceu, e não dependi do trânsito para isso. Após uma sucessão de fatos estranhos e peculiares, acabamos nos encontrando sem preparação nenhuma. O lugar nos era conhecido, mas não era público, e quando mal percebemos, lá estávamos só nós dois, tendo que lidar com a estranheza da situação.
Como o fim do namoro não foi litigioso, a civilidade estava intacta, e lentamente começamos a conversar, iniciando pelas bordas de um copo bem cheio. Contamos 3 meses de coisas acumuladas, coisas que só o outro poderia entender, mas que pelas leis não escritas, não contamos.
Mergulhamos no copo e chegamos em nós, reviramos nossos conteúdos, discutimos adaptação, novas realidades, novas vontades, novos costumes, coisas que nos permitimos desde que nos separamos. Descrevemos sensações, rotinas, horários, como se ainda quiséssemos dar satisfação um para o outro, não por dever, e sim por uma mistura estranha de hábito e respeito.
Quase chegando ao fundo do copo falamos tudo que ouvimos um do outro nesse tempo separados, e essa hora foi de longe a mais desagradável. As pessoas se provam cada vez mais maldosas, insensíveis e mentirosas. Falam o que não sabem, o que não devem, o que inventam, e assim mancham uma relação que nunca sofreu com mentiras ou falta de comunicação. Confiar em ninguém é a única solução, melhor ainda se conseguir se blindar de qualquer notícia que dê margem a desconfiança e má interpretação.
Não chegamos a bater no fundo do copo, onde estariam as razões de termos nos separado, os frutos de nossas diferenças ou mesmo nossos sentimentos. Afinal, isso já foi discutido o bastante, e não tem motivo para ser mexido. Estamos bem com nossas decisões e posições, agora resta nos preservar para evitar desgaste desnecessário.
Isso tudo foi muito bom pra mim, tinha muito medo de que nos tornássemos estranhos completos. Nada me machuca mais do que olhar uma pessoa que já fui tão íntimo, como alguém que nunca teve relevância em minha vida. O encontro me provou que não há raiva, rancor, mágoa, desdém, ou qualquer coisa parecida. Confirmei que no fundo somos as mesmas pessoas, apenas em lugares diferentes.
Com a mesma falta de vergonha na cara eu procurava alento no Seu último vestígio, no território, da sua presença Impregnando tudo tudo que Eu não posso, nem quero, deixar que me abandone Não posso, nem quero, deixar que me abandone Não posso, nem quero, deixar que me abandone não Com a mesma falta de vergonha na cara eu procurava alento no Seu último vestígio, no território, da sua presença Impregnando tudo tudo que Eu não posso, nem quero, deixar que me abandone Não posso, nem quero, deixar que me abandone Não posso, nem quero, deixar que me abandone não São novamente quatro horas, eu ouço lixo no futuro No presente que tritura, as sirenes que se atrasam Pra salvar atropelados que morreram, que fugiam Que nasciam, que perderam, que viveram tão depressa, Tão depressa, tão depressa São novamente quatro horas, eu ouço lixo no futuro No presente que tritura, as sirenes que se atrasam Pra salvar atropelados que morreram, que fugiam Que nasciam, que perderam, que viveram depressa, depressa demais A vida é doce, depressa demais. A vida é doce, depressa demais. A vida é doce, depressa demais. E de repente o telefone toca e é você Do outro lado me ligando, devolvendo minha insônia Minhas bobagens, pra me lembrar que eu fui a coisa mais brega Que pousou na tua sopa. Me perdoa daquela expressão pré-fabricada De tédio, tão canastrona que nunca funcionou nem funciona E de repente o telefone toca e é você Do outro lado me ligando, devolvendo minha insônia Minhas bobagens, pra me lembrar que eu fui a coisa mais brega Que pousou na tua sopa. Me perdoa daquela expressão pré-fabricada De tédio, tão canastrona que nunca funcionou nem funciona Me perdoa, Me perdoa, a vida é doce, Me perdoa, me perdoa, me perdoa... São novamente quatro horas, eu ouço lixo no futuro No presente que tritura, as sirenes que se atrasam Pra salvar atropelados que morreram, que fugiam Que nasciam, que perderam, que viveram tão depressa, Tão depressa, São novamente quatro horas, eu ouço lixo no futuro No presente que tritura, as sirenes que se atrasam Pra salvar atropelados que morreram, que fugiam Que nasciam, que perderam, que viveram depressa, depressa de mais A vida é doce, depressa demais... A vida é doce, depressa demais... A vida é doce, depressa demais... A vida é doce, depressa demais...
Gostei muito do comentário, principalmente porquê na maioria das citações o leitor concordou comigo, quando não complementou com muita eloqüência. Até então tudo estava previsível, um leitor que pensava como eu. Até no final do comentário, santocasto explicou o porquê de seu nick.
A decisão dele obviamente me chocou, não por a achar infundada ou insana. Mas não menos radical. Usar um cinto de castidade, realmente impede que façamos qualquer besteira provocada por bebedeira ou sem-vergonhice. Alem disso é uma prova de comprometimento inquestionável, aprisionar nosso melhor amigo por uma pessoa é de se admirar.
Já fui de fazer nenhum, muitos e hoje menos sacrifícios para o bem de uma relação. Mas invariavelmente a balança pendia para algum lado. Antes retirava todos e todas da minha vida, mas não cedia um milímetro do outro lado. Depois aprendi a ceder mais e consequentemente receber mais. Hoje já não sei. Não tenho idéia como vou encarar meu próximo relacionamento fixo. Ás vezes acho que vou ceder menos, tentar achar alguém que demande menos, mas por outro lado ainda mora em mim uma vontade de entrega total, de mergulhar de cabeça.
A questão da fidelidade, apesar de ser um problema de todos, nunca me causou grandes problemas. Não tive problemas ou fins de relacionamento por causa disso, pelo menos não que eu saiba. E prefiro não ser muito curioso a esse respeito. A fidelidade que poderia ser quebrada na verdade sempre foi um fantasma, daqueles que aparece no momento em que está mais acuado. A tentação, a provação só existiu de verdade em momentos em que as coisas já não caminhavam bem, o que me faz acreditar que foram conseqüências, nunca causas.
Então, parando um pouco pra pensar, a fidelidade em si não me incomoda tanto, muito menos a ponto de ter que usar um cinto de castidade. No meu caso, se chegasse a esse ponto sei que teria problemas mais sérios do que o passarinho engaiolado. Saberia que se tivesse que chegar a esse ponto alguma outra coisa estava muito errada. Ainda que eu acredite que ninguém é fiel, ainda acho ser possível ficar fiel por um tempo prolongado. Isso resolve a questão? Não, ainda viverei assombrado, mas que a assombração sirva de sinal de que tenho que arrumar alguma coisa.
O texto do santocasto foi bom de cabo a rabo, mas ele pecou em um ponto. Em certo ponto ele fala sobre evolução, sobre se adaptar aos novos tempos. Pois bem, como vamos usar um artifício inventado há séculos para resolver um problema atual?
Semana passada escrevi um texto sobre fidelidade conjugal, onde questionava a existência desta como a conhecemos. Se você já leu sabe minha opinião, se não leia. O negócio é que no fim da semana, recebi um comentário interessantíssimo do santocasto. E como nem todos entram nos comentários estou o publicando aqui. Acredito não haver problema, visto que ele comentou publicamente.
Ia responder nos comentários mesmo, mas acho que ele merece um texto inteiro. Então amanhã vou publicar meus comentários aqui. Leiam o texto pois vale a pena, é muito bem escrito, coerente e com um final melhor ainda.
Sem mais...
Em primeiro lugar boa noite!
Primeira vez nessas paragens, mas gostei e acho que vou voltar, se puder...
Meu apelido é casto, rs* e eu queria compartilhar umas coisas com vocês todos sobre fidelidade, digo fidelidade "forçada", uma experiência muito pessoal. Gostei desse tópico, ok, então...
"...acho nosso modelo de relacionamento tradicional impraticável..." Me too!
" O ser humano simplesmente não nasceu para monogamia..." Yes! Mas temos que mudar, porque o mundo mudou, evoluiu! O homem só consegue ser feliz e se realizar plenamente, se e quando "ESTÁ" em estado monogâmico. O egoísmo é péssimo para o homem. Já a abnegação...
"... ninguém é fiel, apenas está fiel" Totalmente verdadeiro.
"Fidelidade é uma coisinha por si só, bem relativa, até onde pode-se ir sem trair?..." Nossa exatamente!
"...se o namorado ver uma Playboy já está de certa forma traindo..." Claro que está, sem dúvida... Sem falar em masturbação e nas fantasias que passam na nossa mente quando gozamos. A punheta é uma traição muda, a pior de todas...
"...Nossos instintos são incontroláveis..." Com certeza!
"Minha visão já foi muito pessimista em relação a isso..." A minha também, aliás, ainda é! Precisamos de AJUDA para quebrar esse modelo, parar de trair e aprender a viver felizes dentro da monogamia.
Bom, agora vou dizer o que penso. Todo homem mente e trai. Nós somos programados de fábrica para isso. DNA, cultura, seleção natural, sei lá, chamem vocês do que quiserem, lamentem, mas não neguem somos assim. Somos criados por nossas mães para sermos assim! Mas podemos mudar. Podemos ser mais felizes e realizados. Não é mais para ser assim... O mundo já mudou acordemos! Que mulher que gosta de um sujeito traira?
Mas por outro lado, nenhuma mulher tem ou pode ter certeza absoluta que o companheiro É fiel. DIGO CERTEZA ABSOLUTA! Podem no máximo ter certeza que ele NÃO É FIEL (pior caso) ou que ESTÁ FIEL. (como vc sabe que teu namorado não está te traindo nesse instante?)
Mas te garanto que nenhum homem se sente bem traindo, sendo egoísta, mentindo para a companheira (só se for um crápula), se masturbando e fantasiando com a Melancia...
Mas se trair ainda é um ato instintivo, não é intencional e isso não nos deixa felizes ou orgulhosos, apenas culpados... Fato: nada nos impede de fazer novamente, porque somos fracos. Sim somos fracos
Eu fui muito infeliz porque saia com várias mulheres, traía minha garota, porque não conseguia conciliar minha paixão, amor, dedicação com a luxúria, com meu desejo de "pegar todas".
Como saí desse ciclo de mentira, traição, desejo, incompletude, arrependimento? Bem, um dia contei tudo para ela, disse que a amava e pedi ajuda. Bom, na época já estávamos brincado com algemas, vendas e algumas coisinhas do tipo... Logo surgiu a idéia de eu usar um cinto de castidade masculino 24h por dia... Sério, tô sendo sincero, não tô de sacanagem não. Foi a melhor coisa que fiz. Deixei ela me trancar em um cinto de castidade (CB3000). Desde aquele dia, ela decide quando, onde e como transamos. Não posso sair sem ela abrir o pequeno cadeado. Não posso mais trair, não posso mais me masturbar e fantasiar com outras.
Gente sou muito, muito mais feliz assim. Não posso tocar no meu pau, as vezes rola uma frustração, mas ela tá tão feliz...
Só o uso "forçado" do cinto de catidade pôde acabar com a minha compulsão de trair... Não é pra todo mundo, mas quem quiser tentar eu assino em baixo ... É isso aí! Viva a monogamia.
A música parece que foi composta pela Xuxa, o vídeo editado pela Sasha. Mas como estou muito feliz em descobrir que sertanejo tá na moda, acho que a vida é boa!
Meus? Em que sentido? Pra quando? Não sei. Não tenho planos, só consigo dizer no máximo o que vou fazer no final de semana. Mais do que isso só planejo aniversários, festas de casamento, batizados, etc. Que na verdade planejam pra mim. Quando se trata da minha decisão, não tenho planejado nada.
Vejo as pessoas falando sobre Natal, Ano Novo, Férias, e eu não sei de nada. Tenho uma proposta ali, uma idéia aqui, mas plano de verdade não tenho. Nunca fui de planejar a longo prazo, mas tinha uma idéia vaga do que faria ou não. Era só decidir. Hoje o leque é muito aberto, o que, pra variar, é bom e ruim.
Bom, porque tive ótimas experiências com decisões em cima da hora, convites inesperados, ser pego desprevenido. Não acho que é lenda que as melhores viagens, baladas, encontros são decididos no momento. Planejar restringe, cria expectativa e torna tudo muito mais previsível. Elementos que podem prejudicar a experiência quando o que se quer é o novo.
Ruim, porque rola aquele medo de acabar não aproveitando as oportunidades. E se eu acabar não fazendo nada? E se sobrar eu em São Paulo? E se o ponto alto das minhas férias for assistir filmes no pay-per-view? Já deixei de aproveitar oportunidades, e mesmo que a experiência não tenha sido traumática, a sensação de vazio incomoda.
No final das contas, acabo me lembrando de que nunca estamos satisfeitos. Lembro quando tinha uma turma grande e inseparável, sempre tínhamos o que fazer, sempre sabíamos pra onde iríamos. E era sempre o mesmo lugar. Fosse bar, praia, campo, restringíamos – por uma porção de motivos – muito nossas opções, e isso me incomodava um pouco. Adorava a turma mas queria um pouco de surpresa, um pouco do novo.
Hoje tenho isso a minha disposição, posso fazer o que eu bem entender, e provavelmente vou me surpreender com o que virei a fazer. Mas até lá, fica a impressão de que tudo vai dar errado e passarei em branco todas as festividades. Até o momento que o inesperado se manifestar. Inesperado? Você está aí?
O programa dessa semana traz o primeiro bloco em volta da palavra Rock & Roll. 4 músicas que tem o nome do genêro no título. O segundo musquinhas de rádio, hits chiclete que não saem da nossa cabeça, com destaque para a música da M.I.A que sempre propões algo diferente. De brinde essa semana temos dois flashs dos bons. Espero que gostem.
Rolaram:
Joan Jett - I Love Rock'n Roll Led Zepellin - Rock and Roll The Ramones - Rock & Roll High School The Subways - Rock & Roll Queen Estelle - American Boy (Feat. Kanye West) M.I.A - Paper Planes David Guetta - Tomorrow Can Wait Ken Lazlo - Whatever Love Mc Saar & The Real McCoy - Love & Devotion
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Como sempre, se tiver qualquer dúvida, ou quiser pedir alguma música, basta me mandar um e-mail.
Ontem encontrei uma amiga que há tempos não conversava. Na verdade, acredito que nunca havia conversado tanto com ela na vida. Ela é de fora de São Paulo e logo após nos conhecermos, perdemos contato. Como está passando uma temporada aqui pelas nossas terras, resolvemos tomar um café para colocar o papo em dia. E quanto papo.
A peguei no trabalho e nos três primeiros quarteirões, já percebemos que ainda que nossas vidas tenham tomado rumos completamente diferentes, nossa realidade, nossas indagações eram as mesmas. Eu morando sozinho e solteiro e ela morando sozinha fora de sua cidade tínhamos dois pontos em comum. Lidar com a solidão e a dependência.
Lidar com a solidão já é assunto batido por aqui. Não poder contar com alguém 100% do tempo, não ter o porto seguro, seja ele a família, a turma ou namorada(o). Mas no caso da dependência, que está intimamente ligada com a solidão, tivemos discussões interessantes.
Todos passamos, em algum momento, por situações em que nos perguntamos se dependemos de outra pessoa para ser feliz. Eu passei algumas vezes e independente da resposta, sabia que isso era inaceitável. Já faz tempo que tenho convicção de que não podemos colocar nossa felicidade nas mãos de outras pessoas. Precisamos nos bastar.
Mesmo com essa consciência, vira e mexe, por aqui mesmo, me questiono sobre a necessidade ou não em ter alguém. Não consigo ignorar que sinto falta de alguma coisa, que preciso de mais do que já tenho sozinho. Como amigos e família estão razoavelmente presentes, a conclusão óbvia é de que falta um amor.
Mas esmiuçando isso com minha amiga, ambos concordamos que na grande maioria das vezes, apesar de projetarmos alguém, não é esse alguém em específico de que sentimos falta. Sentimos falta do alguém genérico. Queremos uma pessoa e ponto. A projeção é baseada em nossas experiências recentes, em modelos próximos de ideais, mas que por algum motivo não vingaram.
A prova disso, se consegue com um exercício simples. Basta trocar, no momento desse sentimento de falta, a pessoa projetada por modelos parecidos. Se pensar que seria tão bom quanto, ta provado que o genérico serve, se não, é caso mal resolvido em sua cabeça mesmo.
Sentir falta de alguém genérico não é sinônimo de dependência de pessoas e sim de sentimentos. Se sentir cuidado, seguro, amado. Ás vezes apenas saber que alguém está pensando em você, se preocupando onde você está. Por instinto sempre nos agrupamos, vivemos em bando, mas num mundo onde cada vez mais temos que nos separar para crescer, saber que alguém está pensando em você é o melhor remédio para solidão.
A palavra, cuidado, pode assustar, pode preceder a palavra, perigo, ser sinônimo de atenção, alerta. Por muitas vezes, ao ouvirmos essa palavra, ficamos tensos, esperando o pior, torcendo para dar tudo certo. Mas não hoje, hoje falo do cuidado que relaxa, não por estar precavido ou coisa parecida. E sim pelo contrário.
Há algum tempo atrás uns amigos me “acusaram” de paternalista. Justamente. Reconheço que sou mesmo, quero cuidar de todo mundo e fazer o melhor para quem eu gosto, do jeito que eu gosto. Por isso, constantemente dou algo que nunca me pediram e esqueço de oferecer o que as pessoas realmente querem. Eu que adoro decifrar e ouvir, acabo não escutando.
Transformar esse tipo de característica não é fácil, é coisa que está enraizada nos mais fundos porões do meu caráter. Tem que bagunçar um monte de coisa pra mexer e inevitavelmente vou alterar a ordem das coisas. Cuidar sempre foi minha missão, se fosse pra chutar diria que tudo começou num dia em que minha irmã se perdeu na praia do Gonzaga em pleno verão. Eu devia ter uns 10 anos e ela 2.
Seja este o princípio ativo ou não, sei que sempre quis cuidar de tudo, e sofri por muito tempo não entendendo como as outras pessoas não eram assim. Como podiam simplesmente não ligar, ignorar, impor. Fosse em amizades, namoros, família, vivia num conflito infernal, alem de sempre me dar mal.
Depois de adulto, entendi uma das coisas mais importantes da minha vida, nunca esperar que fizessem por mim o que faço por alguém. Isso foi libertador e me permitiu criar relacionamentos adultos, em que não me chateio por besteira ou decepciono facilmente. A característica de cuidar se manteve, um pouco mais seletiva e menos intensa, mas no seu lugar.
Agora, chegando nos 30, aprendi mais uma coisa. Não que fosse um grande mistério, mas o óbvio para uns, é mistério para outros. Hoje vejo como cuidar de todos e não esperar nada em troca me deixou exposto. Dependo daqueles que, como eu, instintivamente cuidam, pois esqueci o que é “pedir água”. Não peço ajuda, cuidado, mimo ou qualquer coisa parecida. Tenho que estar sempre servindo, se preciso que me sirvam apelo, vou me arrastando até a cozinha se necessário.
Hoje, finalmente estou aprendendo a aproveitar pessoas como eu. Pessoas que gostam de cuidar, que preferem dar do que receber, que genuinamente se sente mal quando no lado contrário. Eu conheço bem o sentimento. Agora estou conhecendo o outro lado, e se aprender direito a lidar com isso, o que já era bom, vai ser bom ao quadrado.
Porque é segunda-feira, e segunda-feira não é dia para felicidade demais.
Nine Inch Nails - Hurt
I hurt myself today To see if I still feel I focus on the pain The only thing that's real The needle tears a hole The old familiar sting Try to kill it all away But I remember everything
What have I become? My sweetest friend Everyone I know Goes away in the end You could have it all My empire of dirt I will let you down I will make you hurt
I wear this crown of shit Upon my liar's chair Full of broken thoughts I cannot repair Beneath the stains of time The feelings disappear You are someone else I am still right here
What have I become? My sweetest friend Everyone I know Goes away in the end
You could have it all My empire of dirt I will let you down I will make you hurt If I could start again A million miles away I would keep myself I would find a way
Todo mundo está falando de uma América Pós-Racial, devido a eleição de Barack Obama para a presidência dos Estados Unidos. Querem dizer que se um negro chegou no mais alto posto do país, não existem mais barreiras raciais para nada. Puro exagero. Li no Blog do Sérgio Dávila essa passagem de um show do comediante Chris Rock que reflete perfeitamente porque o buraco á mais embaixo.
Em seu show mais recente, o comediante Chris Rock conta que vive em Alpine, um enclave de endinheirados de Nova Jersey. Segundo seus cálculos, entre os milhares de moradores, há três outros negros vivendo lá. O ator cômico Eddie Murphy e os músicos Jay-Z e Mary J. Blige, todos milionários como ele. "Sabe quem é meu vizinho?", pergunta Rock à platéia. "Um dentista branco."
Ele pára e olha o público, numa pausa dramática. "Eu e Eddie Murphy somos gênios da comédia, Jay-Z e Mary J. Blige são gênios do rap. O meu vizinho, o dentista branco, pode ser bom no que faz, mas não é tão bom quanto nós. Sabe o que seria necessário para que um dentista negro conseguisse morar em Alpine e ser meu vizinho? Ele teria que ter inventado o dente ou algo assim..."
Assisti Rocknrolla ontem. Novo filme do Guy Ritchie. Gostei e recomendo pra quem curte o estilo dele (Snatch). Essa era a música do trailer e também rola na trilha do filme, que é muito boa.
Demorou muito tempo para eu poder escolher minha família. Até certa idade tinha uma que havia herdado no dia de meu nascimento. Completamente heterogênea e incompatível, como a maioria das famílias. Quanto ao heterogênea sem problemas, acho que essa é uma das características mais importantes e ricas de uma família. Já o incompatível sempre me incomodou.
Quando virei dono do meu nariz, comecei a selecionar quem eu queria que fizesse parte da minha família de verdade. Minha família de sangue compõe minha árvore genealógica, mas como fruto, num belo dia amadureci e caí no chão. Fiquei ao relento até minhas sementes cravarem o chão e começarem uma nova árvore. Nessa nova árvore cresço do meu jeito, a partir do meu fruto, que sem dúvida tem herança genética da velha árvore, mas é diferente.
Minha família escolhida parece um ornitorrinco do mundo das plantas. Não se parece com nenhuma outra árvore, mas aos meus olhos é perfeita. Cada dia que passa cresce mais um pouco, seus galhos entrelaçam entre si e em alguns casos alcançam as árvores vizinhas.
Mas falando só da minha por enquanto, nela encontro meus amigos. Cada galho é uma turma, cada fruto uma pessoa. Quem amadurece cai e assim como eu pode voltar a se encontrar entre as folhas. Outros apodrecem e somem. Tento cada dia mais formar uma copa densa e espessa. Como um pinheiro, que tem os galhos próximos, quase inseparáveis, indistinguíveis.
A um lado, minha árvore genealógica invade minha escolhida. Com meu pai, mãe, irmã, meus primos-irmãos, minha vó e alguns outros poucos. Estes cada vez mais se parecem com frutos da minha árvore escolhida. Não são mais entediantes como antes. Enxergo em cada um motivo claro para fazer parte da minha vida, independente de parentesco.
Do outro lado nem sempre tem alguma coisa. Por muito tempo tive árvores vizinhas, que timidamente raspavam em meus galhos. Os frutos destas nem sempre combinavam com os meus, mas a partir do momento que perco o contato com seu tronco lá se vão todos os frutos. Os que gosto ou não. Nesta árvore ficam minhas namoradas e suas famílias é claro.
Assim vou levando, construindo minha própria árvore escolhida, até um dia fundi-las em uma só. Criando minha própria árvore genealógica. Acredito que esta será próxima da perfeição. Mesmo que meus filhos não concordem.
Os homens sempre foram mais diretos, não por princípios, mais por inaptidão mesmo. As mulheres, muito mais interessantes, usam muito mais a subjetividade. Assim, a comunicação entre os dois sexos nunca foi fácil, homens esperando clareza e mulheres interpretação. Eu posso reclamar de vez em quando mas na verdade adoro isso. O exercício de decifrar pessoas me motiva, e faz com que eu conheça bem melhor com quem lido. Depois de um tempo, até o silêncio é mensagem clara.
Hoje essa comunicação tem muito mais meios do que antes. A grande maioria desses online. Orkut, Msn, Blog, Twitter, Facebook, Flickr entre outros. E isso dificultou bastante as coisas. Existem muito mais maneiras de passar sua mensagem, mas basicamente podemos dividir todos esses em dois grupos, o público e o privado.
O privado engloba emails, directs no twitter, mensagens específicas em geral. Essas são as mais fáceis. Com característica de carta, ás vezes sofremos por não conseguirmos nos expressar direito. Ironias nem sempre são claras e construções mal feitas podem inverter completamente o significado da mensagem original. Somos salvos pelo emoticons. ☺
Já no público é que o bicho pega. Nunca foi tão fácil se expressar publicamente. O que antes era exclusividade de jornais e revistas, agora está ao alcance de todos, e obviamente não temos noção desse poder. Muitas vezes nos comunicamos publicamente, seja com pessoa específica quanto em geral, falando dos assuntos mais diversos, os objetivos das mensagens também são bem claros em nossas cabeças. Em nossas cabeças.
Se comunicar publicamente é abrir margem para interpretação, e é aí onde mora o perigo. Cada pessoa que lê sua mensagem pode achar uma coisa. Uma não dá a mínima para o que você está falando, pula para o próximo scrap, outra acha interessante, mas nada mais do que isso, muitas são curiosas e perguntam logo sobre o que você está falando, ou no mínimo criam teorias que achem propícias.
Sem receptor definido, o emissor deixa a vaga aberta, o que faz com quem qualquer um se sinta lisonjeado, criticado, ofendido ou seduzido. Tudo isso por apenas uma mensagem, com vários receptores. Quem tem medo disso se reserva ao privado e raramente aparece. Mas quem não tem, quem quer falar pro mundo, quer ser escutado, fala, ás vezes demais, e de uma maneira ou de outra acaba criando diversas personas na cabeça de diversos leitores. Nos tornamos todos escritores e nem percebemos. Tenhamos blogs literários ou frases no msn do tipo: “Muitas saudades de você”.
Esse você pode tanto ser o novo namorado, o velho namorado, o cachorro quanto a mãe que mora longe. Depende do que você está precisando no dia.
Quem está por volta dos 30 anos, lembra do filme "Negócio Arriscado", primeiro suceso de Tom Cruise no cinema. Neste filme ele fez uma cena clássica, dançando de cueca.
Recriaram a mesma cena com a Heidi Klum de calcinha. Gênios.
Essa semana temos um programa fanfarrão. De um lado cantando desafinado (o programa, não os intérpretes), e de outro exaltando a mulher da forma mais "pura" possível. Se é que podemos chamar isso de puro. Espero que gostem.
Rolaram:
Queen - Bohemian Rapsody Guns N' Roses - Sweet Child of Mine Billy Idol - Dancing With Myself Velhas Virgens - Rafael Eu Amo a Sua Mãe Ultraje a Rigor - Eu Gosto de Mulher The Bloodhound Gang - The Bad Touch 20 Fingers - Lick It
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Esses dias fui a doutora da cabeça, e ainda que ela não seja terapeuta, conversamos um pouco. Falei como andava minha rotina, o que vinha fazendo e como estava encarando minha vida. Expliquei que tenho uma certa mania de me desafiar, de resolver da maneira mais dolorosa por achar mais certa. Não gosto de me enganar, de fingir que nada acontece. Ela me entendeu, mas disse que meus remédios só me trazem equilíbrio, que passo por um processo de “luto” e disso não posso escapar.
Achei interessante ela falar assim, pois sempre achei que toda separação é uma morte. Afinal, quando acontece uma separação, duas pessoas deixam de existir, se transformam em outras coisas que podem ou não se comunicar. Essa é uma das grandes diferenças da morte em si, a possibilidade de comunicação. A não ser que tenha poderes mediúnicos é claro.
Outra grande diferença é o livre arbítrio. As separações geralmente são originadas a partir de escolhas, uni ou bilaterais. Mas geralmente uni. Isso pode deixar a coisa um pouco mais complicada. O lado que escolhe pode sentir culpa, enquanto o outro abandono.
Fora isso, a separação é muito parecida com a morte. E assim como ela, tem um período de luto. Agora qual o tamanho desse período? Quanto tempo da tristeza e desconcerto até apenas uma lembrança? Minha médica disse 6 meses. Lembro que a Charlotte, do Sex and The City, dizia que era ao menos metade do tempo que o relacionamento durou. O que no meu caso seria 2 anos (?!?). Eu não acredito nessas fórmulas ou regras.
Cada um tem seu período de luto, e é responsável por ele. Assim como tem gente que em um mês está saltitando de alegria, outros podem amargar anos vivendo uma relação que já acabou. O importante é saber que depende principalmente de nós. Sem desculpas, sem culpar o outro por te procurar, ou o resto da sua vida que está difícil. Só você decide quando quer parar e é completamente capaz disso.
Meu termômetro é o seguinte. Quando fui “terminado” no meu ex ex namoro, durante minhas lamúrias, lembro de ter pensado o seguinte. Se eu pudesse pedir a Deus para retirar de mim todo aquele sentimento pela pessoa, eu pediria? Em certo momento eu disse não, depois de algum tempo eu disse sim. Essa é minha prova, se eu quero remover todo aquele sentimento, que ainda que tenha sido ótimo por tanto tempo, no momento só faz mal, sei que dei o passo mais importante em direção ao fim do meu luto.
Luto tem que ser o mais breve o possível, e esse breve, sem dúvida alguma varia muito, só não podemos confundir luto com respeito, respeito deve ficar pra sempre, mas luto é apenas um processo doloroso e necessário, nada mais do que isso. Portanto, que acabe o quanto antes.
Mais uma vez me pego na dúvida entre ser e estar. Na verdade isso nem é dúvida, é crença mesmo. Já faz um bom tempo em que acho nosso modelo de relacionamento tradicional impraticável. O ser humano simplesmente não nasceu para monogamia. Ainda que muitos possam bater no peito e falar que sempre foram fiéis, que nunca traíram seus parceiros, ninguém é fiel, apenas está fiel.
Fidelidade é uma coisinha por si só, bem relativa, até onde pode-se ir sem trair? Podemos ser simplistas e falar que apenas fato consumado através de contato físico é traição até uma visão extremista que acha que se o namorado ver uma Playboy já está de certa forma traindo. Então não é nada fácil ser fiel com seu parceiro, visto que cada um tem um ponto de vista, um limite.
Eu sou quase um extremista, basta saber que uma namorada deu corda para um outro cara, mesmo que tenha sido apenas para alimentar o ego, que considero infidelidade. Por outro lado acho que é perfeitamente normal querer agradar o ego, é instintivo e necessário, muitas vezes inclusive impede a pessoa de algum dia passar desse ponto. Contraditório eu sei.
Por isso há algum tempo duvido do modelo monogâmico. Ninguém precisa ser gênio para perceber isso. Veja a quantidade de separações litigiosas, de amigos que tem casos, da cada vez maior, aceitação em ser amante ou admitir que tenha uma. O que noutros tempos era considerado um absurdo, é cada vez mais comum, e a razão disso na minha opinião, é que todos estão percebendo que é complicado fugir disso.
Ser fiel é impossível por culpa da nossa construção. Nossos instintos são incontroláveis, e não importa o quanto você ame uma pessoa, eles podem se manifestar sem você saber muito o porquê. É assim, como medo, paixão ou desânimo. Não tem explicação certa, apenas teorias.
O que impede o mundo de sair se traindo por todos os lugares, em alguns casos, é o estado de fidelidade. Estar fiel depende de muita força de vontade e uma relação muito bem construída. Quando você está fiel, esquiva de qualquer situação que possa dar margem para seus instintos aflorarem, não dá margem para sentimentos intrusos e principalmente, não tem vontade de fazer nada relacionado a isso. O comportamento natural é seguir com sua vida do jeito que ela sempre foi, se privando de uma conversa aqui e outra ali. Sabemos muito bem o que estamos fazendo e quando cruzamos os nossos próprios limites.
Minha visão já foi muito pessimista em relação a isso, causando uma descrença no mundo tamanha, em que pensava se valia a pena me render a esse modelo de relacionamento. Ainda acho que ele é muito mal resolvido, que vem de uma série de costumes e regras que não fazem mais sentido, quem apenas algumas gerações futuras poderiam viver uma relação natural, boa e saudável. Sem esforços.
Hoje enxergo uma coisa positiva em achar que ninguém é fiel. Ser é fácil, se nasce assim ou não, não acredito em mudança de caráter e personalidade, apenas amadurecimento e conduta. Já, estar, demanda o uso do livre arbítrio. Para isso é necessário esforço e determinação tamanhos, que são dificilmente mensurados. No caso de estar fiel, precisamos reprimir nossos instintos, abrir mão da liberdade e querer muito ficar assim. O que só valoriza a fidelidade conquistada. Se um dia ela acabar, não é caso de enganação, decepção, é apenas o fim de um ciclo, que pode ser triste e indesejado, mas precisa ser respeitado.
Uma vez o Laganaro (é, mais uma vez ele) escreveu um texto engraçadíssimo. A base da história era de uma amigo pedindo a namorada dele emprestada. A premissa, aparentemente maluca, se desenvolvia com o amigo “pedinte” explicando que não queria a namorada do amigo para nada demais. Não ia beijar, não ia transar, nada de sacanagem, ele só queria estar um pouco com uma namorada. O porquê? Esse final de semana eu entendi.
Quando li o texto, ainda namorava, e achei bem divertido, mas não havia pego o sentimento envolvido, o que o levou aquela idéia. Afinal, pegar uma namorada emprestada não é um pensamento que passa por nossas cabeças normalmente, no máximo, algum pervertido pensaria nisso, e ainda assim, com fins sexuais.
Mas não é o caso, no texto fica bem claro (acho que é melhor vocês lerem, pois é grande demais para eu colocar aqui) que o negocio é diferente. Não sei se vou conseguir colocar em palavras, mesmo porque, como eu disse, eu não tinha completamente entendido até sentir. Tem a ver com intimidade mesmo. Com conforto, ficar com a “guarda baixa” como o Ricardo mesmo sempre diz.
Fui pra praia nesse final de semana e a noite subimos para a cobertura. Sentamos nas cadeiras, dois casais e quatro solteiros. Ficamos na maioria do tempo em silêncio, fumando nossos charutos, ouvindo Dave Matthews, de certa maneira estávamos todos na mesma, os casais não estavam se pegando nem nada, como nós, apenas aproveitavam o raro céu estrelado. Mas era diferente.
Tenho certeza que a experiência deles foi mais completa do que a nossa. Ainda que eu mesmo pregue, que para ser feliz, todos temos que conseguir primeiramente ser felizes sozinhos, certas coisas precisam ser feitas em companhia. Algumas coisas com amigos, outras com companheiras. Sejam namoradas, amantes, esposas, seja lá o que for. Por mais que pareça piegas, ou que não se perceba o valor disso no momento, assim se tem um momento perfeito.
Não é o sexo, não é o beijo, nem a conversa, é o “estar”. É uma mistura estranha de cumplicidade, intimidade, sentimento e presença que, sem precisar se manifestar de nenhuma maneira palpável, está lá.
Nesse sábado eu senti isso, estava sozinho e só queria uma namorada emprestada.
Toda mudança brusca no seu estilo de vida te transforma. Fique mais feliz, triste, eufórico, desanimado de alguma maneira seu comportamento muda. Seja no trabalho, no visual ou num relacionamento, você altera sua rotina, parâmetros e perspectivas. Isso gera um efeito cascata em que, não raro, quem está a seu lado vai achar que você é outra pessoa.
Pois bem, quando isso acontece, como se difere o que você é e sempre foi do que você está por causa da mudança por qual passou? O que em você é genuíno, de sua personalidade e o que é sintoma temporário. E mais, esses sintomas podem deixar de ser temporários e tornarem-se parte definitiva?
Falo isso porque desde a última grande mudança da minha vida, tenho me visto diferente. Estou muito mais receptivo, simpático e easy-going. Muitos podem dizer, é claro, você agora está solteiro, quer mais é putanhar. Ou então, agora você está sozinho e não sabe lidar com isso, portanto, aceita qualquer programa que aparece pela frente.
Não, não é isso. Não nego que uma parcela se deva a isso. Todos temos posturas diferentes quando solteiros e compromissados. Mas me vejo constantemente fazendo coisas que sempre tive vontade de fazer , mas não podia. Minto, podia, mas optava por não fazer. Sou a favor de fazer concessões quando namoro, assim como as demando. Há tempos venho tendo vontade de aprender a comer comida japonesa, mas minha ex-namorada não tinha muita. Até tentamos algumas vezes juntos, mas eu me sentia mal por ela estar desconfortável com aquilo. Então desencanava, se fosse tão importante pra mim eu insistiria. O contrário era igual, quando minha ex queria fazer algo que eu não queria, eu ia, mas não sei se ela se sentia a vontade com isso. Acho mesmo é que ficava preocupada e não aproveitava do jeito que deveria.
O fato é que agora, eu faço de tudo. Vou a churrascos que não iria, vou comer comida japonesa, vou a festas em lugares que nunca me imaginaria. O primeiro pensamento foi culpar o namoro é claro. Não fazia coisas que não a agradavam. Mas é mentira. Enquanto estava namorando era feliz em conceder, e realmente não fazia nada contra minha vontade. Se fosse pra fazer “de cara feia” não ia. E não tinha tantas limitações assim.
Então me pergunto, esse cara, que faz de tudo agora, que experimenta, que não tem preconceitos, que é mais sociável, sou eu ou “estou eu”? Minha primeira impressão é a de que estou assim. Por ter me privado (conscientemente e de livre vontade) de muita coisa nos últimos anos, estou “tirando o atraso”. Quero fazer tudo que não fiz. Estou inebriado pela sensação de que posso tudo, estou me embriagando de liberdade.
Ao mesmo tempo, lembro de mim anos atrás, de como agia, como encarava certas coisas. Em algumas era muito pior, e minhas duas ex-namoradas foram grandes professoras na minha formação. Em outros pontos, vejo que sou igual, que não ligo para aglomeração de gente se for por um bom programa, que prefiro baladas a barzinhos, que ainda me dou bem com velhos amigos, mesmo que de uma maneira completamente diferente.
Por tudo isso, não consegui chegar a uma resposta, talvez o tempo dirá que sou só um babaca agindo por impulso pós mudança, ou se resgatei velhos hábitos e vontades. Se passar, sem problemas, mas se não, preciso trabalhar muito para não perder tudo isso na próxima vez que estiver com alguém. Pois tenho certeza que isso faria eu ter uma relação mais completa ainda, comigo e com qualquer outra pessoa.
Desde que comecei a questionar as coisas uma pergunta me apurrinha a cabeça. De onde viemos? Seja a solução religiosa ou científica, não explica. Se foi Deus, quem criou Deus? Se foi uma mega explosão da colisão de partículas, de onde vieram as partículas. Quando vou um pouco a fundo no assunto acabo achando respostas como: Deus é, e sempre foi. Ou antes das partículas tinha o nada. Vão se catar. Se não sabe, não inventa besteira. O fato é que as origens podemos nunca saber, mas temos que lidar com os efeitos e conseqüências de um universo em expansão.
Esse papo todo foi só para ilustrar o que tenho sentido e visto em relação a sensações e sentimentos. Qualquer coisa estranha deve ser explicada, algo inesperado tem que ser decifrado. Difícil não se pegar matutando, tentando explicar algo que, em nenhum momento, racionalizamos conscientemente. Algo que entrou em nossa cabeça pela porta de trás e de repente surge, chutando a porta do corredor e ficando toda exposta no meio da sala.
Depois de criarmos diversas teorias (todas furadas) para o sentimento intruso, percebemos que mais importante do que entender aquilo, é lidar. Ele está ali, não parece estar de saída e alguma coisa você vai ter que fazer. Já que não consegue ignorar (até tentou, mas não deu certo), tem que achar uma maneira de conviver com o estranho. Pode servir um chá, puxar a cadeira, falar oi, gritar pra ver se o assusta, chuta-lo pela porta da frente ou tentar empurrá-lo para o lugar de onde veio. Seja lá o que for tem que tomar uma decisão.
Decidir como lidar com os sentimentos que brotam assim, é muito mais complicado do que aqueles que avisam que estão chegando. Não se tem histórico, contexto, algo em que seu lado racional possa se apegar para saber o que fazer. Para variar, acabamos contando com nossos instintos, esses danados que vem sei lá da onde e influenciados por praticamente qualquer coisa. O que me leva a crer que não tem jeito certo ou errado para se lidar com esse tipo de sentimento.
Lembro o dia que fiquei sabendo que não usávamos a nossa capacidade cerebral completa. Que usávamos 10% ou coisa parecida. Ainda que eu ache que isso seja mito, preferi acreditar. A partir do momento que soube disso, achei a resposta que eu queria. Nunca entenderíamos a origem do universo, ou dos sentimentos, porque só usamos 10% de nosso cérebro. Pronto, resolvido, não preciso mais me perguntar isso.
Tem coisa melhor do que ver uma mulher dançando ao som de uma boa batida? Não. Como diria um amigo meu, felicidade é ver mulheres dançando. Portanto, nada melhor que um programa que junta mulheres e batidas. O primeiro bloco conta com as divas e o segundo com as batidas. Pessoalmente, acho que esse é um dos programas que mais gostei. Espero que agrade a maioria. Abraços.
Rolaram:
T.I - Living Your Life (Feat. Rihanna) Duffy - Mercy Amy Winehouse - You Know I'm No Good Bonde do Rolê - Marina Gasolina N*E*R*D* - Spaz Outkast - B.O.B. TH Express - I'm On Your Side
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Como sempre, se tiver qualquer dúvida, ou quiser pedir alguma música, basta me mandar um e-mail.
Estou com 29 anos, e o horizonte é negro quando se trata de crises existenciais. A maioria dos meus amigos também está nessa faixa de idade, portanto, não raro estamos conversando como idosos, enaltecendo os velhos tempos e como eles eram divertidos.
Ok, eram mesmo. ALL PLAY e NO WORK. A falta de responsabilidades ajuda muito, as férias escolares, o bando de novidades e a ingenuidade para lidar com tudo isso. Muito pouco compromisso com pessoas e muito mais com eventos.
Não acredito que tudo isso seja muito discutível, talvez alguns tiveram adolescências melhores e outros piores, mas de um jeito ou de outro, todos nos lembramos como um tempo bom que não volta nunca mais. Mas uma coisa que é discutível é o agora. E agora que somos adultos, que estamos chegando a idade em que muitos de nossos pais já tinham família construída e patrimônio estabelecido. A quantas anda nossa diversão?
Diferente.
Toda quinta me encontro com 5 amigos. Toda quinta reclamamos de Deus e o mundo. Toda quinta damos um jeitinho de falar como somos miseráveis. Toda quinta nos divertimos muito. Se existe isso eu não sei, mas acredito que a diversão amadurece. Ou ao menos a nossa percepção dela.
Num papo com o Laganaro, conversávamos como hoje em dia nos sentimos muito mais livres para nos divertir do que antes. Quando se é mais novo, a diversão acontece aos jarros, desmedida, como se saísse de um cano rompido. Não tínhamos controle disso, e nem queríamos. Já mais velhos, ponderamos onde e quando podemos nos divertir. Não como uma coisa regrada e chata, muito pelo contrário, como senso de oportunidade.
Não é novidade pra ninguém, que quando jovens, mulheres e homens condicionam muito mais sua diversão ao contato físico com o outro sexo (ás vezes o mesmo, mas vocês me entenderam). O negocio é, os homens tem que pegar mulher e as meninas tem que ser xavecadas. Isso na minha época é claro, hoje todo mundo tem que se pegar.
Mesmo quando se estava namorando sério, havia a pressão para fazermos o que namorados devem fazer. Em dias comemorativos, tinha que ter algo especial, onde especial era: jantar romântico, luz de velas, restaurante bacana ou alguma variação disso.
Quando saímos com a galera, para encontrar com meninas, ou mesmo para uma balada, o papo era sempre “pegar alguém”. Nem que você soubesse que não ia conseguir ninguém, esse era o papo. Essa era a pressão. Se saísse com alguém, tinha que pegar, se não era uma noite fracassada e triste. Assim como imagino como devia ser para as meninas que estavam com amigas que eram xavecadas e “pegadas” por alguém e elas mesmo ficassem no zero. A pressão inevitavelmente mexia com nossa estima que inibia a diversão.
Hoje não. Hoje me sinto livre pra me divertir, seja lá como for, comendo um hambúrguer em noite de balada ou beijando uma moça numa madrugada qualquer. Hoje não sinto pressão, me divirto sem condicionais, fico em casa e danço no meio da sala, me encontro com amigos das antigas, comemoro aniversário de namoro assistindo Smallville, vou no cinema com amigas e obviamente seduzo e sou seduzido. Mas independente de tudo, me divirto.
PS: Como tudo nesse blog, essa é meramente minha opinião, colocar todo mundo no mesmo balaio é mania, ás vezes sou só eu que estou aprendendo a me divertir melhor com o passar dos anos.
Ok, já estou escolado, me expor aqui no blog me transforma em alvo fácil. Qualquer um que entra aqui tem uma visão boa de quem sou e o que vivo. Na maioria das vezes as pessoas filtram o que acham interessante e guardam para elas, formando conceitos sobre mim. Mas de vez em quando, devido a meu desprendimento, acabo levantando a bola para cortarem.
Meu post sobre o cara que colou em mim, gerou uma seqüência enorme de piadinhas, e como adoro rir de mim mesmo, vou colocar algumas delas aqui. Enjoy.
1
Posto no twitter que não posso ouvir Michael Jackson quando estou andando que tenho vontade de fazer aquela dancinha dele. Com a mão no estilo Billie Jean.
Uma amiga no msn: “Olha, você não pode confessar esse tipo de coisa no twitter.” Eu: “Porquê não?” Ela: “Assim os caras não vão parar de colar em você.”
2
Estou numa festa dançando com o pessoal quando vejo de longe a namorada de um amigo dançando sozinha. Cavalheiro que sou vou até ela pra acompanha-la e chego todo animado para anima-la também.
Ela: “Nossa, nunca vi um cara dançar essa música com tanta naturalidade”
A música, que eu nem tinha prestado atenção, era “Girls just wannna have fun”.
3
Indo para a mesma festa. Eu com uma camisa de futebol e meu amigo com uma camisa vintage apertada.
Eu: Aê, hoje sua roupa ta mais gay que a minha. Ele: É, mas pelo menos nenhum cara colou em mim.
4
Meu amigo me liga e diz:
Ele: Ow, balada dia X. Eu: Ah é? Que rola? Ele: Aniversário de uma amiga. Diz a lenda que vai ter muita mulher. Eu: Boa. Ele: Mas muito gay também, então cuidado com o que você veste.
No embalo da minha fotografia literal, onde falei sobre minha necessidade em aprender a ser sozinho, esse final de semana me deu muito material para lidar com isso. Discussões, opiniões, sinais e insights.
Tanto sexta-feira (que fui assistir Fuerza Bruta, que recomendo muito), quanto sábado que fui a um churrasco e outras cositas más a serem explicadas adiante. Conversei com aqueles que estavam comigo em diversas situações sobre o assunto.
No Fuerza Bruta fui com uma amiga de longa data, mas que não conversava sério (e sóbrio) há anos, e foi ótimo. Ela tem uma cabeça completamente diferente da minha, o que hoje em dia acho interessantíssimo. Ela está pra sair de casa e ficar sozinha de verdade pela primeira vez , mas já fez algo que eu nunca tive coragem, viajar sozinha. Sem excursão, curso, ou coisa parecida. O papo foi extenso e diverso, mas ambos concordamos que o problema não é ficar sozinho, e sim ficar o tempo todo com você mesmo. Lidar consigo mesmo não é fácil, é preciso muita coragem e insistência, afinal, tudo que você costumava descontar nos outros, acaba afetando a si próprio.
No sábado fui a um churrasco com amigos mais antigos ainda. Não a toa a tarde foi recheada de saudosismo e escárnio a quem não estava presente. Prova de que estamos velhos. O fato é que, contando com alguns recém-separados como eu, uma hora a conversa ficou séria, e embalada por algumas cervejas, começamos a sessão de terapia em grupo. Uns mais acanhados, outros mais falantes. Mais uma vez, a noção geral era de que ficar consigo mesmo não é fácil. Acordar numa manhã de Domingo, olhar pra parede e se perguntar: “E aí?” O papo foi daqueles sem conclusão, mas que dão um conforto desgraçado em saber que outros passam pelo mesmo que você. Brothers in arms.
Saí do churrasco e fui pra casa. Pensando que não tinha idéia do que faria, e não estava com mínima vontade de ficar em casa. Sabia que estava comigo mesmo, e teria que me contentar com essa companhia. Pensei em ligar para diversas pessoas, mas cada uma tinha um impedimento, me senti um dependente em crise de abstinência. Dependência de pessoas. Mas engoli seco e rumei pra casa, esperando o inesperado.
Quando chego em casa, do céu, também conhecido como twitter, aparece uma oportunidade. Inesperada, inusitada, instigante. Fazer algo que nunca havia feito em toda vida, sair com 4 pessoas que nunca tinha visto, sem saber se gostaria delas, se gostariam de mim, se meus maus hábitos incomodariam ou se o papo delas me incluiriam. Como Deus tem sido um cara muito legal comigo, confiei, e aceitei seu sinal.
O resultado dessa saída é muito maior do que as boas amigas que fiz, de ter dançado que nem adolescente, do que ter recebido um dos elogios mais legais que já recebi na vida. Nessa noite percebi que viver sozinho é como trabalhar free-lance. Ë não ter certeza de que o dinheiro vai entrar, é se arriscar a viver no tédio por meses, é pensar de vez em quando em como era boa a época em que você tinha um emprego fixo.
Trabalhar como free-lance pode te remunerar muito bem num mês, e não te pagar nada no próximo. Mas independentemente de valores, prazos, contratos, alguma coisa sempre vai aparecer, e você não vai morrer de fome por falta de trabalho. Quando precisar de verdade, se for um bom profissional, algo vai aparecer, seja lá de onde for ou como for.
To tentando me acostumar com essa vida de free-lance, por enquanto está fácil, vamos ver como serão os próximos meses.
PS: Valeu Fé, Karen, Maíra e Ana. Perfect Strangers!
No filme "Como se fosse a primeira vez" (se não assitiu, assista, é divertido) o protagonista Adam Sandler tem que conquistar todo dia a mesma mulher (Drew Barrymore - Lucy).
Todo dia ele parte do zero e faz ela se apaixonar de novo.
E o que é? É o que o nome diz mesmo, com palavras tirar uma foto de sua vida, não é é um tratado, um filme ou documento, uma fotografia, daquelas que transmitem as sensações, cheiros e aflições com apenas um frame. Na versão literal passamos isso por texto, falando num panorama geral, o que achamos da nossa vida nesse momento.
Pra que serve? Basicamente para aproximar seus amigos que ás vezes por te verem todos os dias se esquecem de parar para perguntar o que você tem sentido. Mais do que isso, serve para você poder observar sua evolução através do tempo, assim que começar a colecionar várias Fotografias Literais.
Seguindo o exemplo do meu amigo e blogueiro, Ricardo Laganaro, resolvi “tirar” uma fotografia literal da minha vida no atual momento.
A decisão não foi simples, afinal sei que vai ser difícil focalizar a câmera para pegar com relativa clareza, meu momento. É como querer tirar a foto no meio de um backflip de moto, estando em cima da moto.
Mas enfim, a vida resolveu tirar o atraso e fez com que eu tivesse que lidar com tudo que eu evitava e/ou adiava. Depois de aquietar na minha vida profissional, finalmente achando um método de trabalho que funciona, tanto para o lado burocrático quanto prazeroso, era hora de enfrentar meus fantasmas, do passado distante ou recente.
Mas como isso não é um filme do meu ano, e sim uma foto vamos ao presente.
Hoje estou dormindo bem, e como isso melhorou a minha vida. Nunca dormi bem, sempre achei que ter o sono todo errado era natural, e que tinha que sofrer com isso. Mas não. Após chegar ao limite e ver que todo meu pessimismo em relação ao mundo era mais que pessimismo, era depressão de verdade, comecei a me tratar, e olha. Funciona mesmo. Não é que vivo lesado, não é que acho tudo ótimo, mas parece que não levo mais tão ao extremo as coisas ruins e vejo com olhos mais generosos as coisas boas.
Hoje estou sozinho. Nunca estive tão sozinho em minha vida, não no sentido de solidão. Mas sem apoio em tempo integral de alguém. Sempre tive, família, namorada ou amigos que não saíam de casa sem me ligar. Hoje não, ainda tenho família que me ajuda em qualquer segundo que eu necessitar. Tenho mulheres que me elogiam, me enrolam, me atraem, me fazem pensar. Mas cada uma com seu tempo. Tenho amigos, um boa dezena imagino, que são todos meus terapeutas, são eles que mais aturam meu humor, minha soberba, minha preguiça e meu orgulho. Mas cada um está em seu canto. Fora ás quintas-feiras em que 6 deles sempre estão comigo.
Por tudo isso, hoje o que mais quero na vida é me entender comigo mesmo. Ficar confortável sozinho, não acordar no sábado em que não marquei nada e ter que fugir de casa para sentir que estou fazendo alguma coisa. Quero aproveitar minha própria companhia, pra rumar cada vez mais em sentido a felicidade independente. Já achei que não precisava de ninguém para viver. Era muito tolo. Sei que, como diz Alexander Supertramp, felicidade só é plena se compartilhada.
Hoje ando confuso. Apesar de ter certeza das minhas sensações, não sei muito bem o que as provoca. Não sei se é histórico, época da vida ou coincidência mesmo. E no caso específico da coincidência sempre fico na dúvida se ela é um sinal ou minha mente pregando peças em mim.
Hoje estou livre. De vínculos, horários, pressões. E isso é assustador. Não ter no que se apegar é libertador mas se não tomar cuidado o incerto e imprevisível podem dar uma sensação de vazio. De que não se está chegando a lugar algum. Mas como não sei onde exatamente quero chegar me acalmo.
Hoje estou feliz. Mesmo que com saudades, mesmo trabalhando no que não gosto, mesmo sozinho, tenho conseguido dividir momentos de felicidade com praticamente todos a minha volta, e isso é gratificante pra cacete. Coisas que poderia (ou não) estar fazendo há anos faço agora, e parece que ninguém me culpa por isso, assim tenho certeza que esses sempre estarão por perto.
Hoje em dia, é muito comum ouvir uma mulher dizer que homem tem que ter pegada. Não era assim. Quando eu era pequeno, tudo que eu ouvia era: respeito e carinho. Além dos atributos clássicos como bonito, inteligente e sensível. Mas em relação a postura, a como tratar uma mulher, o homem tinha que ser respeitador, tipo, não podia mão nisso, muito menos naquilo, enquanto ela não desse a ordem. Carinhoso, sempre abrir a porta do carro, ser gentil, abraçar com cuidado, ser tenro.
Agora não, agora elas querem além de tudo um cara com pegada. Um homem que tome as rédeas, que abuse de vez em quando, que seja firme quando tem que ser e doce quando ela desejar. Tem que ter atitude, tem que sentir os momentos certos e fazer aquilo que está dentro da cabeça delas. Ok, já não era complicado o suficiente, mas damos um jeito. Servimos bem para servir sempre.
Mas o fato é que - não sei se falo por todos os homens - gostamos de mulheres que também tenham pegada. Um dia quem sabe, quisemos (ou dissemos que queríamos) mulheres de Atenas, ou princesas intocáveis e frágeis. Mas hoje não. Hoje queremos muito mais, também queremos essa mistura que as moças vem reivindicando há tempos. Queremos a mulher que faz bico e depois nos arraste pela nuca, não podem mais assistir, tem que dividir o papel principal.
Mas a mulher que tem pegada é diferente do homem que tem pegada. Enquanto o homem pode ser assim naturalmente, a verdadeira mulher de pegada tem que ser despertada. Mesmo que seja naturalmente assim, não é qualquer um que as faz assim. Não basta beijá-la e abraçá-la, tem que conquistar de verdade. Tem que achar o caminho para o núcleo nervoso delas, estremecer as bases. Precisamos fazer com que todos os seus sentidos estejam alterados (sim, usar álcool vale), tem que anular sua razão, tem que fazer com que ela não enxergue nada além de você. Enquanto falar tudo isso é fácil, fazer...
Como toda grande tarefa, essa também oferece uma enorme recompensa. Uma vez que se prova, não se quer nada diferente daquilo. Não é como aquelas mulheres desesperadas, que te sufocam, que saem raspando os dentes em seus lábios sem controle. É diferente. A mulher que tem pegada, quando despertada, sempre te beija como a primeira e última vez, ao mesmo tempo. Bagunça seu cabelo, se pendura em seu pescoço, te abraça como se não quisesse que fosse nunca embora. Se enrola em você como se quisesse impregnar em suas roupas, em sua pele. Ficando junta de você por muito mais que uma noite, uma mulher que voc6e leva pros lençóis de sua cama mesmo quando sozinho.
Tenho certeza de que nenhum homem fica impassível a uma mulher como essa, todos querem esse tipo de intimidade, essa temperatura, essa intensidade. Conseguir não é fácil, mas o que de bom nesse mundo é?
DJKast 21 já tem maioridade completa, e ganhou de presente uma seleção do amigo DJ Escobar Ortiz. Coincidentemente 3 canções latinas de 3 filmes. O segundo bloco tem sabgue azul, composto por 3 reis de gêneros diferentes. Espero que gostem. Até semana que vem.
Rolaram:
Los Lobos & Antonio Banderas - Cancíon del Mariachi Chingon - Malagueña Salerosa 101 Strings Orchestra - Por Una Cabeza Elvis Presley - Heartbreak Hotel Roberto Carlos - As Curvas da Estrada de Santos James Brown - Sex Machine Information Society - Lay All Your Love on Me
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Como sempre, se tiver qualquer dúvida, ou quiser pedir alguma música, basta me mandar um e-mail.
Já é antiga minha crença de que só se é livre de verdade sozinho. Ainda que eu não ache que para ser completamente feliz, precisa-se ser completamente livre. Abro mão de um pedacinho da minha liberdade para ter uma ótima companhia. Não a toa namorei quase 7 anos seguidos (2 anos e meio + 4 anos e 2 meses), e não me arrependo de um só dia.
Porém, estar completamente livre é sempre interessante. Quando me encontro nessa situação, minha maior angústia é meu maior prazer: Não saber o que vou fazer. Namorar por muito tempo me deixou acostumado a não ter que pensar no que ia fazer, afinal, sempre faria algo similar. Acordava, ligava pra namorada, ia buscar e decidíamos o que faríamos. Se não tivéssemos nada marcado geralmente comíamos alguma coisa e íamos pra minha casa. Se tivéssemos algo marcado, bem, se tivéssemos, honrávamos nossos compromissos. E tudo estava muito bem.
Quando nos sentíamos muito entediados (sempre existe essa fase) experimentávamos algo novo. Uma balada, uma peça ou uma viagem inusitada. Mas pensando no namoro inteiro essas ocasiões representavam pouco. Claro que isso é sintoma de comodismo. Afinal lembro que no começo dos namoros, a vida é muito mais agitada (mesmo que acompanhada) do que no meio dos relacionamentos.
As razões desse comodismo não são exatas. Acredito que em relacionamentos padrão, exista uma adaptação natural de sua vida de solteiro deixada pra trás. Em vez de cortar o cordão umbilical de vez, vamos nos libertando (ou aprisionando) aos poucos. Vemos que as outras pessoas estão em outra sintonia e que não podemos as acompanhar mais em tudo.
O fato é que, após o fim de um relacionamento, fazemos o caminho contrário. Temos que relembrar como são os antigos procedimentos, as antigas sensações. O estranhamento, naturalmente pode causar a sensação de que se trocou uma vida ótima por uma em que você simplesmente não se encaixa. Mentira.
Estar livre é mais fácil do que o contrário. A falta da necessidade de dar e receber satisfação, rapidamente deixa de ser um “menos” para ser um “mais”. A impressão de o mundo ser todo seu começa a invadir sua vida e de repente, quando você está distraído, está sorrindo como há tempos não sorria. Não é um sorriso melhor ou pior do que os que dava enquanto se relacionava, só diferente mesmo.
Viver livre deixa a vida mais imprevisível do que já é. Transforma suas expectativas em migalhas, sejam estas altas ou baixas. Ser livre é conhecer, encontrar, experimentar, tudo sem planejamento, e numa intensidade incrível.
Na minha recém-liberdade, venho provando o gosto de tudo isso. Ás vezes é amargo, ás vezes salgado, ás vezes entala na garganta e em outras você se empanturra até explodir. Independente do sabor, é muito bom exercitar o paladar.
Eu me rendo. Depois de ouvir umas 4 vezes nas minhas Genius Playlists, e mais uma no ADD do Maestro Billy acho que essa canção tem que entrar no Mood of the Day!
Mesmo pq tem a ver.
Ok Deus, entendi.
No Doubt - Don't Speak
PS: E sempre é bom ver a Gwen Stefani de vestidinho...
Muitas vezes começa com um intermediário. Um conhecido em comum, alguém neutro, que faz o meio de campo para resolver os interesses mútuos.
Tudo começa com um olhar. Seja num bar, na escola, no trabalho ou mesmo no avatar do msn. Tudo começa com um olhar. Conforme a intimidade vai crescendo, pega-se na mão, raspa-se na coxa, acaricia-se o cabelo. Do cabelo pode-se descer pra nuca e de repente, o beijo na boca ansiosa. Então todo o corpo quer um pouquinho, e vai-se passeando por todos os cantinhos, até não haver um único lugar nunca visitado. Talvez um, dependendo do desprendimento.
Assim fica por um tempo. Acesso total e irrestrito. Tem-se aquela suprema sensação de intimidade, de que se é a única pessoa do mundo a ter credenciais para visitar aquele território restrito. Exclusividade total e privilégio imenso. Basta saber o que fazer com tudo isso. Para descobrir, se experimenta.
De ponta cabeça, na ponta da cama, dentro do carro, no sofá da sala, com chantilly, com leite condensado, com champagne, dentro da água, dentro do chuveiro, na mesa da cozinha, no elevador, com algemas, sem as mãos, sem olhar, quietinho, falando baixarias, de bombeiro, de estudante. Ufa...
Não se sabe quando, nem exatamente por que, mas pouco a pouco tudo isso começa a diminuir, o sofá pode continuar mas as fantasias ficam no armário. Em certo momento o chantilly só aparece no sundae, e os banhos não levam mais de que seu tempo burocrático. E quando se dá por conta, todo aquele terreno que um dia foi tão bem explorado se transformou em cenário de sonho. Daqueles em que você sonha que está na escola mas as coisas não se encaixam completamente. Tem uma piscina na quadra de futebol e as classes são todas marrons.
Daí pra frente é questão de tempo. Primeiro as bocas, que um dia pareciam uma só de tanto que se conheciam, agora se cumprimentam como estranhas. A mão não visita a nuca há muito tempo e os cabelos só são lembrados quando bloqueiam o filme da TV. O espaço no sofá aumenta e numa tarde qualquer de domingo as mãos se descolam, e só acenam um melancólico adeus.
Muitas vezes termina com um intermediário. Um conhecido em comum, alguém neutro, que faz o meio de campo para resolver os interesses comuns.
Essa semana começamos uma série lá no Agridoce, que será interessante. Dentro da nossa sessão “Tempero do Dia”, teremos como assunto semanal os sete pecados capitais, aplicados aos relacionamentos, como sempre. Cada semana um pecado, e o primeiro é a Gula. Quando abri o word para esboçar o que escreveria, nada vinha a mente, como colocaria o pecado no contexto.
Apelei. Contei minha agrura para uma amiga com qual conversava no msn, e rapidamente ela veio com a frase: “Gula tem tudo a ver com ansiedade”. Já achei fantástico. Mesmo assim, não satisfeito, começamos a desenvolver a idéia, depois de muitas lamúrias e risos de desespero, chegamos a um ponto interessante. Tanto somos gulosos, como somos vítimas de gula. Não vou tratar profundamente sobre o assunto aqui, senão quinta-feira não terei nada de novo para colocar lá no Agri. O que me chamou atenção no papo, foi essa história de sermos vítimas da gula dos outros.
Um exemplo a que chegamos foi a posição do “outro”. Não o “outro” sem vergonha, aquele que tem apenas desejo sexual, falamos sobre o “outro” que não tem opção. Ou se contenta com migalhas ou chora sobre elas. O “outro” sem opção não é guloso, prova disso é se contentar com migalhas, só queria, um dia poder comer um pão inteiro. Não precisa ser um sonho ou um bolo de fubá, só o pãozinho mesmo. Se for com manteiga dará pulos de alegria.
Ser o “outro” é viver vítima da gula de seu amante. É dar seu pãozinho inteiro para uma pessoa que já tem outro em casa. Mesmo que o amante diga que não gosta mais daquele tipo de pão, que está embolorado ou que nenhum pão é gostoso como o seu. O fato é que o amante quer é comer os dois pãezinhos, não importa a desculpa, e o “outro” sabe disso. Mesmo que negue.
O interessante dessa história é a consciência. Ainda que completamente irracional, injusto e egoísta, ambos, “outro” e amante, sabem que as coisas são assim e na maioria das vezes nunca mudarão. Podem espernear, chorar, terminar, mas sabem muito bem suas posições.
As razões para se sustentar uma relação destas são várias. A primeira é a esperança da mudança. Acontece o tempo todo. Conheço muita gente que troca de namoradas no esquema “revezamento 4x100”. Nem espera o bastão cair e já está com outra. Outros já sabem que as chances de um final feliz são ínfimas, mas preferem encarar a cama vazia nas noites de sábado para poder ter o sexo selvagem dentro de um carro em lugar incógnito.
Saber se vale a pena é que é difícil. Certo ou errado eu nem cito aqui, não é essa a questão, o que penso é que esse tipo de relacionamento é um labirinto cheio de espinhos. As migalhas estão lá para te levar a saída, mas você não tem idéia da distância, muito menos do que te espera do outro lado.
From bad luck i'm walking away I'm not getting stuck I'm not gonna stay
To good things i'm moving ahead I'm tired of dying I'm living instead
Once in a while i wake up Wondering why we gave up But once in a while Comes and it fades away
The sun's up and lighting the sky I never could see it It just passed me by
Good things keep moving along I'm not looking backward For something that's gone
Once in a while I'll wake up Wondering why we gave up But once and a while Comes and fades away
I don't what love is I'm selfish and lazy And when i get scared i can act like i'm crazy But when i think of your kisses I'm still gonna smile I'm still gonna miss you Once in a while Once in a while
Once in a while i'll wake up Wondering why we gave up But once in a while Comes and it fades away
Good things keep moving ahead I'm tired of dying i'm living instead