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quinta-feira, novembro 20, 2008

Mysterious Ways



Sabe quando você está pensando em comprar um carro e por isso o começa a notar na rua? Parece que tem muitos não? Então, quando se termina um relacionamento é a mesma coisa. Parece que o carro de sua ex é o mais vendido do planeta. E lá vai você, automaticamente olhar a placa pra saber se é ela. Pra que? Não sei, já que se for o caso não pense em buzinar, gritar ou bater no carro dela. Mas acredito que tem a ver com a angustia/ansiedade do primeiro encontro pós-término.

Pois bem, ontem ele aconteceu, e não dependi do trânsito para isso. Após uma sucessão de fatos estranhos e peculiares, acabamos nos encontrando sem preparação nenhuma. O lugar nos era conhecido, mas não era público, e quando mal percebemos, lá estávamos só nós dois, tendo que lidar com a estranheza da situação.

Como o fim do namoro não foi litigioso, a civilidade estava intacta, e lentamente começamos a conversar, iniciando pelas bordas de um copo bem cheio. Contamos 3 meses de coisas acumuladas, coisas que só o outro poderia entender, mas que pelas leis não escritas, não contamos.

Mergulhamos no copo e chegamos em nós, reviramos nossos conteúdos, discutimos adaptação, novas realidades, novas vontades, novos costumes, coisas que nos permitimos desde que nos separamos. Descrevemos sensações, rotinas, horários, como se ainda quiséssemos dar satisfação um para o outro, não por dever, e sim por uma mistura estranha de hábito e respeito.

Quase chegando ao fundo do copo falamos tudo que ouvimos um do outro nesse tempo separados, e essa hora foi de longe a mais desagradável. As pessoas se provam cada vez mais maldosas, insensíveis e mentirosas. Falam o que não sabem, o que não devem, o que inventam, e assim mancham uma relação que nunca sofreu com mentiras ou falta de comunicação. Confiar em ninguém é a única solução, melhor ainda se conseguir se blindar de qualquer notícia que dê margem a desconfiança e má interpretação.

Não chegamos a bater no fundo do copo, onde estariam as razões de termos nos separado, os frutos de nossas diferenças ou mesmo nossos sentimentos. Afinal, isso já foi discutido o bastante, e não tem motivo para ser mexido. Estamos bem com nossas decisões e posições, agora resta nos preservar para evitar desgaste desnecessário.

Isso tudo foi muito bom pra mim, tinha muito medo de que nos tornássemos estranhos completos. Nada me machuca mais do que olhar uma pessoa que já fui tão íntimo, como alguém que nunca teve relevância em minha vida. O encontro me provou que não há raiva, rancor, mágoa, desdém, ou qualquer coisa parecida. Confirmei que no fundo somos as mesmas pessoas, apenas em lugares diferentes.

quarta-feira, novembro 05, 2008

Luto


Esses dias fui a doutora da cabeça, e ainda que ela não seja terapeuta, conversamos um pouco. Falei como andava minha rotina, o que vinha fazendo e como estava encarando minha vida. Expliquei que tenho uma certa mania de me desafiar, de resolver da maneira mais dolorosa por achar mais certa. Não gosto de me enganar, de fingir que nada acontece. Ela me entendeu, mas disse que meus remédios só me trazem equilíbrio, que passo por um processo de “luto” e disso não posso escapar.

Achei interessante ela falar assim, pois sempre achei que toda separação é uma morte. Afinal, quando acontece uma separação, duas pessoas deixam de existir, se transformam em outras coisas que podem ou não se comunicar. Essa é uma das grandes diferenças da morte em si, a possibilidade de comunicação. A não ser que tenha poderes mediúnicos é claro.

Outra grande diferença é o livre arbítrio. As separações geralmente são originadas a partir de escolhas, uni ou bilaterais. Mas geralmente uni. Isso pode deixar a coisa um pouco mais complicada. O lado que escolhe pode sentir culpa, enquanto o outro abandono.

Fora isso, a separação é muito parecida com a morte. E assim como ela, tem um período de luto. Agora qual o tamanho desse período? Quanto tempo da tristeza e desconcerto até apenas uma lembrança? Minha médica disse 6 meses. Lembro que a Charlotte, do Sex and The City, dizia que era ao menos metade do tempo que o relacionamento durou. O que no meu caso seria 2 anos (?!?). Eu não acredito nessas fórmulas ou regras.

Cada um tem seu período de luto, e é responsável por ele. Assim como tem gente que em um mês está saltitando de alegria, outros podem amargar anos vivendo uma relação que já acabou. O importante é saber que depende principalmente de nós. Sem desculpas, sem culpar o outro por te procurar, ou o resto da sua vida que está difícil. Só você decide quando quer parar e é completamente capaz disso.

Meu termômetro é o seguinte. Quando fui “terminado” no meu ex ex namoro, durante minhas lamúrias, lembro de ter pensado o seguinte. Se eu pudesse pedir a Deus para retirar de mim todo aquele sentimento pela pessoa, eu pediria? Em certo momento eu disse não, depois de algum tempo eu disse sim. Essa é minha prova, se eu quero remover todo aquele sentimento, que ainda que tenha sido ótimo por tanto tempo, no momento só faz mal, sei que dei o passo mais importante em direção ao fim do meu luto.

Luto tem que ser o mais breve o possível, e esse breve, sem dúvida alguma varia muito, só não podemos confundir luto com respeito, respeito deve ficar pra sempre, mas luto é apenas um processo doloroso e necessário, nada mais do que isso. Portanto, que acabe o quanto antes.