
Já é antiga minha crença de que só se é livre de verdade sozinho. Ainda que eu não ache que para ser completamente feliz, precisa-se ser completamente livre. Abro mão de um pedacinho da minha liberdade para ter uma ótima companhia. Não a toa namorei quase 7 anos seguidos (2 anos e meio + 4 anos e 2 meses), e não me arrependo de um só dia.
Porém, estar completamente livre é sempre interessante. Quando me encontro nessa situação, minha maior angústia é meu maior prazer: Não saber o que vou fazer. Namorar por muito tempo me deixou acostumado a não ter que pensar no que ia fazer, afinal, sempre faria algo similar. Acordava, ligava pra namorada, ia buscar e decidíamos o que faríamos. Se não tivéssemos nada marcado geralmente comíamos alguma coisa e íamos pra minha casa. Se tivéssemos algo marcado, bem, se tivéssemos, honrávamos nossos compromissos. E tudo estava muito bem.
Quando nos sentíamos muito entediados (sempre existe essa fase) experimentávamos algo novo. Uma balada, uma peça ou uma viagem inusitada. Mas pensando no namoro inteiro essas ocasiões representavam pouco. Claro que isso é sintoma de comodismo. Afinal lembro que no começo dos namoros, a vida é muito mais agitada (mesmo que acompanhada) do que no meio dos relacionamentos.
As razões desse comodismo não são exatas. Acredito que em relacionamentos padrão, exista uma adaptação natural de sua vida de solteiro deixada pra trás. Em vez de cortar o cordão umbilical de vez, vamos nos libertando (ou aprisionando) aos poucos. Vemos que as outras pessoas estão em outra sintonia e que não podemos as acompanhar mais em tudo.
O fato é que, após o fim de um relacionamento, fazemos o caminho contrário. Temos que relembrar como são os antigos procedimentos, as antigas sensações. O estranhamento, naturalmente pode causar a sensação de que se trocou uma vida ótima por uma em que você simplesmente não se encaixa. Mentira.
Estar livre é mais fácil do que o contrário. A falta da necessidade de dar e receber satisfação, rapidamente deixa de ser um “menos” para ser um “mais”. A impressão de o mundo ser todo seu começa a invadir sua vida e de repente, quando você está distraído, está sorrindo como há tempos não sorria. Não é um sorriso melhor ou pior do que os que dava enquanto se relacionava, só diferente mesmo.
Viver livre deixa a vida mais imprevisível do que já é. Transforma suas expectativas em migalhas, sejam estas altas ou baixas. Ser livre é conhecer, encontrar, experimentar, tudo sem planejamento, e numa intensidade incrível.
Na minha recém-liberdade, venho provando o gosto de tudo isso. Ás vezes é amargo, ás vezes salgado, ás vezes entala na garganta e em outras você se empanturra até explodir. Independente do sabor, é muito bom exercitar o paladar.