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terça-feira, fevereiro 10, 2009

Muita coisa, pouco espaço.


Faz tempo que não escrevo nada para minha série "Vivo numa caixa de fósforo".Mas sempre estou pesquisando boas soluções para nós, homens e mulheres desprovidos de espaço.

Para isso selecionei 3 links direto do Fresh Home (blog que eu indico pra quem gosta de decoração e arquitetura).

Conheça aqui:

5 dicas para decorar um apartamento pequeno

Como montar um Home Office

Mesinha mágica que não ocupa espaço.

segunda-feira, outubro 27, 2008

Free-lance


No embalo da minha fotografia literal, onde falei sobre minha necessidade em aprender a ser sozinho, esse final de semana me deu muito material para lidar com isso. Discussões, opiniões, sinais e insights.

Tanto sexta-feira (que fui assistir Fuerza Bruta, que recomendo muito), quanto sábado que fui a um churrasco e outras cositas más a serem explicadas adiante. Conversei com aqueles que estavam comigo em diversas situações sobre o assunto.

No Fuerza Bruta fui com uma amiga de longa data, mas que não conversava sério (e sóbrio) há anos, e foi ótimo. Ela tem uma cabeça completamente diferente da minha, o que hoje em dia acho interessantíssimo. Ela está pra sair de casa e ficar sozinha de verdade pela primeira vez , mas já fez algo que eu nunca tive coragem, viajar sozinha. Sem excursão, curso, ou coisa parecida. O papo foi extenso e diverso, mas ambos concordamos que o problema não é ficar sozinho, e sim ficar o tempo todo com você mesmo. Lidar consigo mesmo não é fácil, é preciso muita coragem e insistência, afinal, tudo que você costumava descontar nos outros, acaba afetando a si próprio.

No sábado fui a um churrasco com amigos mais antigos ainda. Não a toa a tarde foi recheada de saudosismo e escárnio a quem não estava presente. Prova de que estamos velhos. O fato é que, contando com alguns recém-separados como eu, uma hora a conversa ficou séria, e embalada por algumas cervejas, começamos a sessão de terapia em grupo. Uns mais acanhados, outros mais falantes. Mais uma vez, a noção geral era de que ficar consigo mesmo não é fácil. Acordar numa manhã de Domingo, olhar pra parede e se perguntar: “E aí?” O papo foi daqueles sem conclusão, mas que dão um conforto desgraçado em saber que outros passam pelo mesmo que você. Brothers in arms.

Saí do churrasco e fui pra casa. Pensando que não tinha idéia do que faria, e não estava com mínima vontade de ficar em casa. Sabia que estava comigo mesmo, e teria que me contentar com essa companhia. Pensei em ligar para diversas pessoas, mas cada uma tinha um impedimento, me senti um dependente em crise de abstinência. Dependência de pessoas. Mas engoli seco e rumei pra casa, esperando o inesperado.

Quando chego em casa, do céu, também conhecido como twitter, aparece uma oportunidade. Inesperada, inusitada, instigante. Fazer algo que nunca havia feito em toda vida, sair com 4 pessoas que nunca tinha visto, sem saber se gostaria delas, se gostariam de mim, se meus maus hábitos incomodariam ou se o papo delas me incluiriam. Como Deus tem sido um cara muito legal comigo, confiei, e aceitei seu sinal.

O resultado dessa saída é muito maior do que as boas amigas que fiz, de ter dançado que nem adolescente, do que ter recebido um dos elogios mais legais que já recebi na vida. Nessa noite percebi que viver sozinho é como trabalhar free-lance. Ë não ter certeza de que o dinheiro vai entrar, é se arriscar a viver no tédio por meses, é pensar de vez em quando em como era boa a época em que você tinha um emprego fixo.

Trabalhar como free-lance pode te remunerar muito bem num mês, e não te pagar nada no próximo. Mas independentemente de valores, prazos, contratos, alguma coisa sempre vai aparecer, e você não vai morrer de fome por falta de trabalho. Quando precisar de verdade, se for um bom profissional, algo vai aparecer, seja lá de onde for ou como for.

To tentando me acostumar com essa vida de free-lance, por enquanto está fácil, vamos ver como serão os próximos meses.

PS: Valeu Fé, Karen, Maíra e Ana. Perfect Strangers!

domingo, outubro 12, 2008

Mudando de nível.


Sair da casa dos pais nunca é fácil. Nunca se está pronto. Mesmo 3 anos depois de ter saído ainda sinto na pele os efeitos colaterais. Mudar em si não afeta tanto, se compra alguns móveis, deixa-se outros para um segundo (terceiro, quarto, quinto...) momento, e de repente lá está você, vivendo uma vida “pior” e pagando por isso.

O primeiro sinal do que está por vir são as primeira “compras do mês”, que no meu caso se tornaram “da semana”, afinal a dispensa é diminuta. Você sai comprando tudo que sempre usou na casa antiga, mas nunca soube quanto custavam. Agora você sabe, e isso dói. As roupas, as refeições fora, as viagens, tudo começa a pesar, e quando você percebe está jantando miojo pra poder comprar umas meias novas.

Foi difícil, mas percebi que não ganho a mesma coisa que meus pais. E seja lá qual classe sócio-econômica eu estava, não estou mais, desci de uma a duas letrinhas. Mas meus referenciais são todos da classe acima, não sei como fazer meu dinheiro durar um mês todo, e isso é no mínimo ridículo. Afinal sei que tem gente qeu se vira muito melhor que eu ganhando menos.

A primeira estratégia foi: Ficar rico como meu pai. Sem me estender muito, declaro que não deu certo. Consegui gastar como ele, já pagar...

A segunda estratégia foi: Definir prioridades. Ok, era simples, bastava eu decidir onde gostaria de continuar vivendo como um principezinho, quais gostos me daria e quais abandonaria. Funcionou por um tempo. Economizava de um lado para gastar do outro e vivia uma vida relativamente igual a antiga. Se não comia fora tantas vezes mais, quando comia era do meu jeito.

O que deu errado? Referenciais. Mantendo os mesmos referenciais não conseguia evitar de me sentir inconformado em não ter o “bom” sempre. Considerava estes mimos ocasiões normais, e não especiais como de fato eram. A balança de valores estava descompensada.

Como resolver? Foi então que comecei a me acostumar com a idéia mais óbvia e simples de todas. Abraçar minha nova classe sócio-econômica com todo carinho possível. Entender que a realidade é outra, e que isso não quer dizer que seja ruim. Cada dia que passa, ainda que não resista a tentação por diversas vezes, vejo que quanto menos tenho, mais feliz eu sou. E não é hipocrisia não. Ter muito, traz muito problema. Mais contas, mais impostos, mais negociações, mais dor de cabeça. Ter menos simplifica a vida, te dá menos opções e te ajuda a aproveitar melhor as decisões tomadas.

Não vou virar hippie ou coisa parecida, impossível, ainda sou um consumista inveterado, mas espero que cada vez mais que foque no que realmente importa, no que me faz feliz de verdade, abrindo cada vez mais minha cabeça para lugares, coisas, situações e sensações. Procurando sentir aquele gostinho de se surpreender com uma felicidade incontrolável proveniente de algo completamente desprovido de valor monetário. Que não precisa de glamour, marca ou vista pra praia. Que te faz feliz só de estar vivo para sentir aquilo.