segunda-feira, julho 24, 2006

Considerações do final de semana

É oficial:

- comer besteira realmente engorda, minhas calças jeans provaram isso após a comilança desenfreada dos últimos dias.

- Eu e meu amigo cronista Murilo somos mais mulherzinhas que nossas namoradas. Durante um encontro nesse sábado elas pediram para mudar de assunto quando falávamos de produtos que usávamos no cabelo. Nosso cabelo é enrolado pô.

- Precisam levar gente que entende mais de mulher para o concurso de Miss Universo. Escolherem a Porto-Riquenha em vez da Boliviana ou da Japonesa (clone da Lana Lang do Smallville) é um ultraje. Espero que ano que vem entreguem a quem entende. Sou voluntário junto com os cronistas reunidos, até manifestamos nossa indignação via Podcast.

quinta-feira, julho 20, 2006

Você é burro?

Burro é aquele que acha que já sabe tudo, já diria alguém importante, mas não tão famoso. Segundo esse cara eu não sou burro, já na perspectiva de outros não me garanto. Arquitetos por exemplo. Confio plenamente no trabalho deles, uma casa funciona melhor sob a batuta deles. Apesar de ser um aficionado por carros, nos últimos tempos tenho me importado muito mais com minha casa, o sofá certo, louças apresentáveis, o tema da decoração. Tudo isso é trabalho de um arquiteto/decorador, mas como não tenho recursos para contratar um, faço eu mesmo. Ou quase.

Minha primeira aventura como decorador aconteceu quando eu ainda era um adolescente. Infelizmente faz tempo. Mudei de apartamento e minha mãe me disse para fazer o quarto como eu quisesse. Desenhei móveis, escolhi posters, enfeites. O projeto tinha ótimas intenções, porém após a execução, excetuando o toldo listrado vermelho e branco, tinha minha própria filial do Friday´s. Eu era apenas um menino, a catastrófica poluição visual não certificava minha burrice, apenas uma fase em que sua personalidade muda tanto quanto sua voz. Em certa época tinha uma placa de rua da Coca-Cola na minha cabeceira e uma coleção de latinhas de alumínio (elas me fascinavam, amassar uma lata de refrigerante com a mão, quem diria). Minha tentativa de Arte Pop era bacana no começo, quando tinha 15 anos, no fim já parecia estar num ferro velho.

Traumatizado e escolado, quando mudei para meu próprio apartamento resolvi ser moderno. O minimalismo estava na moda e eu tinha pouco dinheiro, nada melhor que seguir a linha “menos é mais”. Junto dessa filosofia adotei o conceito de Loft, sem paredes, ambientes integrados. Assim alcancei uma uniformidade nos cômodos, todos se pareciam com o depósito de tranqueiras.

Agora vou mudar de novo, um apartamento maior, uns seis metros quadrados maior, lá poderei continuar minha saga arquitetônica, mas dessa vez resolvi deixar de ser burro. Desisti de saber tudo então resolvi aprender, ou melhor dizendo, roubar idéia dos outros. Devoro as revistas de decoração que encontro, MiniMáximo, Pequenos Ambientes, e o que mais aparecer pela frente. Casa Claudia eu reservo para os dias em que jogo na Mega Sena e tenho que planejar o que vou fazer com o dinheiro. A observação também ajuda, depois de certo ponto é natural, você vai visitar os amigos e de repente se pega deitado embaixo do gabinete da pia pra saber quem fez. Tenho fé que conseguirei executar minha primeira decoração decente. Afinal, as revistas possuem os contatos, as dicas, as fotos, se mais uma vez, não conseguir ao menos dar uma enganada, não vai ter jeito, terei que admitir que sou burro mesmo.

sexta-feira, julho 14, 2006

A casa é sua

Sempre penso na besteira que fiz ao deixar a casa dos meus pais. Afinal, troquei um quarto grande, aquecimento central e roupa lavada por 30 metros quadrados de tijolo com um chuveiro pinga-pinga. Sem contar que ainda pago caro por essa opção. Mas acabo sempre percebendo que existe um ganho na troca, eu não sei dizer qual é, mas existe. Quando recebo visitas percebo que sou gente grande e ao fazer o tour pela casa percebo como ela é pequena. Pequena e desajeitada.

No começo era peculiar. Minha cama megalomaníaca tinha que ficar na sala, na frente dela uma cômoda para abrigar a TV. No “quarto” três armários que não valiam um. Muitas caixas fechadas. Frágil. Canecas. Carrinhos. Etc. Oferecia algo pra beber, mas inexplicavelmente ninguém se interessava em água fresca da torneira. A opção era passar por cima da cama para abrir a janela e proporcionar um pouco de ar. Acaba rápido em locais assim.

Cansei de acordar com o barulho dos vizinhos no hall, mesmo com a porta fechada podíamos nos cumprimentar. Me desfiz de um armário, entulhei tudo nos outros dois, o que me totalizava em números absolutos meio armário. A cama foi para o quarto, na sala ficaram um tapete dois pufes e um móvel com TV. Agora também tinha geladeira, assim podia oferecer água gelada da torneira e em dias bons alguma coisa potável. Gelada. O ar continuava sucesso de público.

Enfim tomei vergonha na cara, comprei sofá e cortinas. Poderia dizer que se parecia com um apartamento, mas tenho que confessar que lembrava mais uma venda de garagem. Caixas. Frágil. Canecas. Etc. Os móveis atropelavam uns aos outros, pra levantar do sofá você tinha que buzinar para a pessoa do compuatdor dar passagem. Ofereci vinho insolentemente, aceitaram, em copos de requeijão é verdade, mas ao menos tinham algo para acompanhar o sempre requisitado ar, vindo agora de trás do sofá.

Sempre penso na besteira que fiz ao deixar a casa dos meus pais. Afinal, troquei um quarto grande, aquecimento central e roupa lavada por 30 metros quadrados de tijolo com um chuveiro pinga-pinga. Mas uma coisa eu sei que é fantástica na minha casa. O ar.

PS: Valeu pelas taças primo!

quarta-feira, julho 12, 2006

Pela madrugada

Um bom papo nunca deve ser dispensado, afinal são esses os grandes momentos da vida, assim como dormir fora de casa sem planejar, comer um hot dog completo em plena madrugada entre outras coisas.

Segunda engatei num papo com um brother que terminou ás 4:20 depois de um pacote de cookies e coca-cola (É esse meu amigo não bebe). Já na Terça fiquei até ás 2:10 com outro amigo, este está em fase de preparativos para o casamento. Os dois papos foram distintos mas muito estimulantes. Fico feliz em ter essa consideração pelos meus amigos.Uma pena as pessoas não enxergarem assim.

(principalmente meu chefe que me faz chegar ás 8:30)....zZzZzZzZ....

domingo, julho 09, 2006

Desapego...

Uma madrugada de arrumação nos meus amados 30 metros quadrados que chamo de casa

Peguei todas as caixas que ainda não desempacotei desde que mudei, abri as portas dos armários, desenterrei as pastas de contas, notas e manuais.

Decidi exercitar meu desapego as coisas materiais, me livrar daquilo que não preciso. Afinal uma coisa que está empacotada há um ano, uma camiseta que não é usada há dois e demonstrativos de compras do arby´s não podem ser importantes.

De aproximadamente 10 metros cúbicos de tralha tirei duas camisetas de propaganda, uma máscara do jason e os envelopes que envolviam as minhas contas.

quinta-feira, julho 06, 2006

Eu quero a minha mãe!

As roupas a empregada lava, as compras eu até gosto de fazer, as contas são chatas mas damos um jeito.

Mas e quando você acorda doente? Quem vai te trazer café da manhã e falar que é melhor ficar na cama?

quinta-feira, junho 29, 2006

20 e poucos...

Cada vez mais ouço que os 20 e poucos anos são os melhores da sua vida. É a época que que se alcança o melhor equilíbrio entre independência e responsabilidade.

Pertenço a tal faixa etária, sou um homem moderno, comprometido, moro sozinho, estou cercado de amigos. A felicidade total me espera...

Agora só falta eu comunicar isso a comgas, eletropaulo, telefonica, imobiliária, prefeitura, lavanderia, postos de combústivel...

quarta-feira, junho 14, 2006

Jantar a dois

Você descobre que não é um macho tão moderno quando, ao preparar um jantar a dois:

- Pega forno elétrico emprestado da mãe

- Bebe vinho em copo de refrigerante

- Coloca as velas e a manteiga no mesmo tipo de recipiente que, na verdade, é feito para abrigar amendoins

quinta-feira, junho 08, 2006

Elas com elas

Sou uma pessoa que evita as convenções. Simpósios também, mas isso não vem ao caso. Se todos usam preto, quero o branco. Se todos ouvem Jazz ouço Polka. Se todos vão para um lado vou para o mesmo para não ser atropelado.Todavia, em um aspecto específico, apenas vou com a maré, sento na janela do bonde, sou um “Maria-vai-com-as-outras”. Quando se trata de fantasia sexual, sou comum e mundano, tradicional, não projeto nenhuma loucura fora dos padrões, quero o que qualquer homem adulto brasileiro deseja: Uma relação com duas mulheres, bissexuais.

Bissexuais. Não me engano no termo. Muitos se referem aos elementos dessa fantasia como um homem e duas lésbicas. Engano comum. Um homem e duas lésbicas resultariam no máximo em duas mulheres embrenhadas em beijos, toques e afagos, observadas por homem, boquiaberto, num canto do quarto. Ainda que o interesse por tal fantasia exista, não a coloca no topo da lista. No segundo lugar talvez.

Talvez seja por causa de nossas mães. Freud, provavelmente, explicaria assim, esse nosso desejo de nos relacionar com duas mulheres ao mesmo tempo. Mas eu discordo. Minha mãe não tem nada a ver com isso, aliás, ela é a última coisa que passaria pela minha cabeça num momento desses. Quem sabe primas.

Quem sabe não haja explicação. Pode ser inútil perguntar. Um homem quando escala o Everest só entende o sentido de tudo que fez quando chega ao cume. Só o cume interessa. A jornada serve pra encher lingüiça, contar vantagem, o cume é que traz a revelação. Esta por sua vez, fica guardada para o alpinista. Não se sabe a razão. Pode ser porque a experiência seja transcendental, coisa do eu com o eu-mesmo sabe. A batalha contra o insucesso, o medo, a dor. Ás vezes é uma lei universal, só saberão o porquê aqueles que chegarem aqui em cima. Ou talvez não seja nada interessante o suficiente pra ser contado. Algo do tipo: “Nossa, é alto mesmo”.

Mesmo assim, todos querem o cume. O desafio é tentador demais para ser deixado de lado. Já ouvi esses palestrantes de auto-ajuda dizerem que cada um tem seu próprio Everest. O de 99% dos homens é um ménage-a-trois, os restantes são alpinistas.

segunda-feira, junho 05, 2006

Expresso

Não acredito na teoria de que, o que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil. As culturas são extremamente diferentes, o poder aquisitivo nem se compara, além é claro da habilidade com a bola nos pés. Porém, uma mania americana está cada vez mais próxima de se tornar brasileira. Os Cafés. Os estadunidenses são loucos por café, a ponto de formarem imensas filas nas portas dos Starbucks (gigante rede de cafeterias americana) por toda a nação. O brasileiro contando com a vanguarda paulista está tomando gosto pela coisa, ainda que, trocando os “chafés” extremamente fracos por encorpados expressos e preterindo o gordinho muffin por um discreto pão de queijo.

Na terra da garoa, chovem novas cafeterias a cada dia. O Fran´s Café foi um dos primeiros, com cardápio de cantina de escola, conquistou os paulistas aos poucos com uma infinidade de opções, além do grande atrativo de funcionar 24 horas por dia. Salvação do homem moderno nas madrugadas. Boêmio e faminto. Há também outros estabelecimentos do ramo que se destacam cada vez mais; como o não politizado Café Suplicy e o pecaminoso Santo Grão. Cada um com sua particularidade.

Característica comum a maioria, importada dos gringos, são as redes Wi-Fi. Estas redes sem fio possibilitam a conexão com a Internet de qualquer lugar do café, desde que seu dispositivo seja compatível com a tecnologia. Direto de sua confortável poltrona você pode trabalhar a vontade em seu notebook ou PDA favorito. Nada melhor para o homem que precisa trabalhar em trânsito. Enviar e-mails, acessar redes externas, consultar informações ou efetuar transações. Tudo isso num ambiente calmo e descontraído. Sem falsas promessas ou necessidades forçadas, a modernidade aqui é objetiva, facilita nossas vidas, ao ponto de não sabermos mais o que faríamos sem ela.

Esquecendo o corporativismo, o café moderno tem aplicações pessoais inegáveis. Arrisco dizer que é o melhor ponto de encontro já inventado. O ambiente é agradável, muitas vezes tem poltronas mais confortáveis que sua própria cama, o que invariavelmente nos faz pensar que precisamos de uma cama nova. Os atendentes são bem apessoados e nunca te “botam para fora” do estabelecimento. Se for a opção, pode-se gastar pouco, tanto dinheiro quanto calorias, afinal, café é barato e não engorda (falando do puro com adoçante é claro). Com uma neutralidade que beira o insípido, o Café agrada a gregos e troianos, caracterizando o “point” como um coringa. Não sabe onde ir, vá a um café. Caso esteja flertando com alguém peça um Moccha, doce e diferente. Se a companhia for uma namorada preste a ser dispensada tente um Café gelado, nunca se sabe qual vai ser sua reação e café quente queima. Já se for uma dessas conversas sérias com o sogro prove um Irish Coffe mesmo. Amargo e alcoólico.

Independente do uso coletivo, o que admiro mais nos cafés atuais é a possibilidade de aproveitá-los sozinho. Sem depender de ninguém. Nunca fui bom nisso, as pessoas olhando pra mim se perguntando porque eu estaria desacompanhado. Eu, incomodado, ficava fingindo que alguém ia chegar ou então fingia ligar para alguém. Mas não me sinto assim nos cafés modernos, seja com meu livro ou notebook me sinto a vontade com os outros companheiros solitários, aproveito o máximo de mim. Ponho as idéias no lugar. Tente você também. Escolha seu café. O meu é puro e com açúcar. Como a vida deve ser.

* Texto publicado na revista Absoluta de Maio de 2006

quarta-feira, maio 24, 2006

Caso ou compro uma bicicleta?

Minhas dúvidas na vida ficam cada vez mais esquisitas.

Estou com um dinheiro na mão e não sei se compro um Terno ou um Forno Elétrico.

Tem problema ambas opções me deixarem muito feliz?

sexta-feira, maio 19, 2006

Sim Senhora!

O que, anos atrás, poderia ser considerado heresia, contravenção ou até viadagem em países mais rigorosos, é cada vez mais normal. Sem precisar se travestir na frente dos amigos, como faziam os homens que sempre tinham a ultima palavra em casa (sim senhora), os machos estão cada vez mais botando as asinhas de dentro. Seja na escolha da cidade onde moram ou na balada de sábado os homens decidem muitas vezes suprimir suas vontades no intuito de agradar as amadas. Livres da obrigação de serem os chefes da relação, os homens muitas vezes deixam as mulheres tomarem as rédeas da situação.

Dos submissos podemos destacar dois grupos. O primeiro, mas não mais importante, é o grupo dos maleáveis. Estes, também chamados de “tantufaz” não ligam em ceder as suas vontades já que qualquer paixão os diverte. Sabem que se incomodarão menos do que a parceira em fazer o que não tem vontade. Por isso prontamente se dispõe a abdicar de suas vidas em favor das delas.

O segundo grupo engloba aqueles que não tem opção. São submissos porque é isso que podem ser. São freqüentemente chamados de “frouxos”, o que é uma inverdade visto a situação em que ficam quando acham que a mulher não vai gostar de algo que fizeram.

O ideal, como sempre parece ser inatingível. Nós que temos personalidade para exigir o que queremos temos que manter nosso direito, ao mesmo tempo saber que ir para o bar com os amigos no aniversário de 10 anos de namoro não é das coisas mais agradáveis a se fazer. O equilíbrio dá a relação a dose certa de respeito e individualidade que os dois participantes (ou quarenta e sete se você é um sultão do Oriente Médio) precisam para manterem-se mentalmente saudáveis. Nós temos que saber quando ceder e ao mesmo tempo não nos aproveitar da submissão delas. Tarefa fácil já que temos um histórico longo a despeito de tal posição.

Já as mulheres não conhecem o contrário, tudo isso é muito novo pra elas, historicamente falando. Para elas só deixo um conselho, não faça como o PT, se chegarem com muita sede ao pote derrubarão tudo e a sujeira pode ser difícil de limpar.

sexta-feira, maio 12, 2006

A ferramenta certa

Nada como relembrar nossos ancestrais quando temos um problema e assim superarmos com méritos unicamente próprios os obstáculos que a vida nos traz. O macho pré-histórico não tinha delivery, nem visita do técnico. Quando muito um bichinho morria em frente a sua morada e olhe lá. Mas nada além de um esquilo mal nutrido ou uma tartaruga cascuda. Superficialmente as necessidades obviamente mudaram, mas no fundo o que queremos quando ligamos pra pizzaria é a comida. O homem pré-histórico, não conhecendo o serviço de entrega, ou apenas não sabendo do imã de geladeria promocional, no mundo de hoje teria que sair de casa, ir pulando até o estabelecimento, quebrar a porta de entrada, quebrar alguns ossos dos humanos que estivessem na espera, bater com a clava na cabeça do pizzaiolo e arrastar a redonda até em casa. Nós sabemos que isso é um desperdício de energia. Porém existem circunstâncias em que a situação se inverte. Precisamos nós mesmo fazer o serviço sujo. Como? Fácil! É só ir até uma “mega store de construção”.

Nos serviços de casa estamos muito bem cobertos por tais lojas. Em São Paulo, por exemplo, existem uma porção delas, que vendem os mais diversos aparatos para a resolução de problemas domésticos. Não pense no entanto que são lojas comuns. Falamos de aqui de hangares de material: tampas de privada, sifões, espelhos de tomada, prateleiras e “Tês”. Ou benjamins. Na primeira vez que entrei numa dessas, tive certeza que errei em não dizer “Eu te amo” pra minha namorada na última ligação. Com certeza nunca mais sairia de lá vivo e que uma vez no meio daquelas gôndolas, o celular não teria mais recepção. Porém, para meu alívio, em um lugar coberto de profissionalismo e técnica não poderiam faltar técnicos profissionais. Estes, além conhecer cada pecinha de seu estoque também podem lhe indicar aonde ir e como não se perder. Estão prontos a te atender a hora que for – algumas “mega stores” funcionam 24 horas por dia. Portanto, deu uma dor de barriga durante a noite e não ficou satisfeito com o desempenho do vaso, é só correr pra lá.

Dia desses recorri a essa maravilha. Não ao vaso. Ou melhor, ao vaso também, mas prefiro não falar de tal assunto. Fui até uma dessas lojas. Um dos técnicos me ajudou a achar o setor de prateleiras. Após passar por três navios aparentemente naufragados e todos os personagens de Lost (que não me surprenderam em estarem lá), peguei três prateleiras de madeira, brancas, fixadas por três grossos pinos, de ferro, que por sua vez eram fixados por dois parafusos cada. Fácil.

Quando comecei a instalação percebi que precisaria de ajuda. Independente de ser um macho moderno que respeita seus ancestrais, reconheço quando não sou capaz de executar um serviço sozinho. Era um pouco mais complicado do que parecia. Tábuas de um metro e meio de largura não são fáceis de se segurar sozinho. Era um trabalho para dois. Um executava e o outro coordenava. “Isso, assim, continua, mais força.”. Gritei bastante. Após 1 hora e meia de trabalho duro e quatro reclamações por barulho incabíveis num domnigo, os nove pinos estavam fixos. O trabalho de encaixar as prateleiras ficou para mim. Três furos, três pinos, é só encaixar.

Infelizmente, não foi assim, o fabricante não especificou que a distância dos pinos tinha que ser exatamente igual a dos buracos, afinal o que são dois centímetros de diferença? Mas tudo bem, vou na loja e resolverei isso como um homem: chamo um técnico profissional e trago ele pra casa. Nem que seja a tapa.

* Texto publicado na Revista Absoluta de Abril 2006

quarta-feira, maio 10, 2006

Brinquedos.

Os lançamentos do ano no mundo dos video-games prometem. As melhorias em gráficos e jogabilidade são certas. Porém os protagonistas da vez são os joysticks.

Tanto o "controle" do Nintendo Wii como o do Playstation 3 trazem uma grande inovação na maneira de se jogar. Ambos possuem sensor de movimento. Este por sua vez faz com que a movimentação por si só do joystick de um lado para o outro, independente do acionamento de botões, possa comandar os movimentos na tela.

Ou seja, até que enfim virar o controle pro lado quando se quer fazer uma curva no jogo de corrida vai servir para alguma coisa. Só faltam agora botões com sensibilidade de pressão.

quinta-feira, maio 04, 2006

Justiceiros.

Na época da criação, Deus, ainda jovem, empreendedor e intuitivo, achou que seria legal criar o homem em duas versões. Um com “didi” e a outra com “dada”. Estas duas versões popularmente conhecidas como macho e fêmea, tem como elo de ligação maior seu encaixe perfeito. O didi entra na dada pra fazer bebê. Ou não. Deus teve a feliz idéia de colocar prazer nessa relação, sem imaginar nos problemas que isso ocasionaria. Foi enfim, inconsequente. Jovens.

Um dos problemas surgiu quando pela primeira vez, Eva disse que estava com dor de cabeça e Adão se viu ali deitado, ou de pé, não se sabe ao certo, as escrituras são confusas. Enfim, não demorou muito para Adão improvisar, e percebendo que daquele mato não sairia cachorro, muito menos periquita, inventou a masturbação. Nome científico para tocar uma bronha, mandar um cinco-contra-um, fazer justiça com as próprias mãos ou simplesmente bater uma.

O legado deixado para os homens solitários do mundo foi imensurável. Poucos feitos na humanidade tiveram tanto valor e importância. Quando digo solitários não digo apenas os que não tem cônjuge. Me refiro sim, a homens momentaneamente sozinhos. Ás vezes por um motivo qualquer, uma lembrança, um programa de TV ou o inquietante e surpreendente grito da vizinha dispara a necessidade do macho se “didivertir”. Basta realmente isso, ainda que as mulheres fiquem indignadas é real. Como é possível se animar tanto com tão pouco. Não sei, mas basta um segundo e já estamos prontos. Ironicamente, esta é uma qualidade a qual não podemos controlar, o que por vezes causa um certo desconforto.

Não tem como negar, homens se masturbam. Sempre. Estejam namorando ou não. Ainda que a freqüência seja ínfima, comparada aos seus 13 anos, a atividade tem extrema importância na vida do Macho Moderno. Seja para se desestressar de um longo dia de trabalho ou para se preparar para uma noite inesquecível. A atividade tem faculdades relaxantes capazes de curar até bico de papagaio, dizem especialistas. O benefício do treinamento é evidente, se efetuado algumas horas antes do ato sexual fará com que a mulher peça mais. E o homem consiga dar.

É bom deixar as coisas claras, transar e se masturbar não ocupam o mesmo lugar, um não substitui o outro, um movimento de mão não é um coito. Apesar de proporcionar sensações similares tem características totalmente diferentes. A transa é como o tênis, os participantes interagem, se esforçando menos, ou mais, dependendo da disposição. Cada partida é diferente da próxima, tem dias bons e ruins. Já a masturbação é como jogar squash sozinho, geralmente se bate a bolinha na parede até a exaustão, ou como se diz comumente, bota-se a língua pra fora.

Então, homens, continuem assim, faz bem e não traz pêlos às mãos, mulheres aceitem, melhora a performance sexual e evita chifres. Esse é um direito dos homens, e temos que lutar por eles, nem que seja com as próprias mãos.

terça-feira, maio 02, 2006

Consistência

Não me aflige o fato da vida endurecer cada vez mais.

O que me preocupa é o ponto de estresse da dita cuja.

terça-feira, abril 25, 2006

Dentro da Caixa.

As fotos de minhas antigas namoradas, nunca rasguei. Não me dão saudades. Mentira. Não representam nada pra mim.Verdade parcial. Não tem como dizer que algo que um dia significou tanto simplesmente se apague como uma velha Polaroid.

Quando nos envolvemos em um relacionamento de verdade, seja um noivado de sete anos ou uma leviandade com uma prima de segundo grau, doamos parte de nós ao conjunto que formamos com essa pessoa. Certas palavras, apelidos e lugares ficarão eternamente vinculados a soma dos dois. Nem seu, nem dela, dos dois.

Isso não é maldição, nem digno de pesar, é apenas parte do que somos. Uma parte sua ainda vai chamá-la de “gatinha”, parte dela ainda vai lhe chamar de “gostoso”. Não que isso tenha alguma coisa a ver com gostosura. E muito menos você a confunde com algum tipo de felino, uma onça quem sabe, se o desligamento for recente.

Mas como seguir a vida com todo seu passado tão presente. As memórias, as imagens, sons e cheiros, sempre mexendo com sua cabeça, lhe trazendo aquele constante temor de ato falho. Os fotos só se rasgam fisicamente. Esse desrespeito consigo mesmo não é capaz de apagar as imagens gravadas.

Eu tenho um processo. Começo tirando as fotos dos murais, dos porta-retratos na cabeceira da cama, do fundo do celular. Acho um lugar especial, um depósito muito bem cuidado, isolado, separo numa caixa adequada todos os restaurantes de tardes de sábado, todas as pousadas simples e mágicas de fins de semana de setembro, não deixo pra trás nem aquelas risadas gostosas deitados no sofá da casa dela. Com o cuidado que se pega um jogo de copo de cristais que se ganha de herança, daqueles que queria muito, mas sabe-se que nunca vai usar, deposito tudo no fundo dessa caixa. Fecho vagarosamente, deixando a tampa deslizar aos poucos, assisto esse eclipse permanente de lembranças sabendo que nunca observarei algo igual. Só similar. Coloco numa estante, para me esperar como aquela bonita edição da Divina Comédia. O Inferno, O Purgatório e O Paraíso todos juntos, uma obra-prima que dificilmente vou ler por completo. Apenas gosto de ter, acho importante. Enfim fecho o depósito, sem ter que olhar pra trás. Só levo de lá a experiência necessária para seguir em frente.

Na vida, seguimos colecionando novo material. O passar dos anos deixa os registros mais nítidos, mais fortes, admiramos novos contrastes, interessantes e reconhecemos uma má composição com muito mais rapidez. O aperfeiçoamento nos faz acreditar que a foto perfeita parece estar cada vez mais próxima. Se tal coisa fosse possível. No fundo, todos nós, românticos e realistas sabemos que o amor acaba, a paixão passa e o fim é solitário. Se você não está sozinho (mesmo que alguém esteja o velando) é porquê ainda não é o fim. Não levamos nada, nem ninguém daqui.

Nas caixas sim as coisas fluem como supomos que devem fluir. Não precisamos nos render a insensíveis verdades ou doloridas conclusões. Nas caixas, o fim é hollywoodiano. Velhinhos de mãos dadas. Amor eterno. Paixão contínua. São assim, como verdadeiramente são.

segunda-feira, abril 24, 2006

Um pra você, um pra mim!

Ao lado da namorada, os dois lados do feriado.

Assisti 4 jogos de futebol, um treino e uma corrida de F1. Com a participação especial dos restos do Open Couch: ovinhos de amendoim e cerveja.


Por outro lado também fui ao centro pra comprar material pra fazer sabonete artesanal e compartilhei uma pizza com a sogra no fim do Domingo.

Justo.

quinta-feira, abril 20, 2006

Open Couch

Na confraternização de inauguração do meu sofá foi fácil ser Moderno. Pedi pizza, servi ovinhos de amendoim e Itaipavas.

Nada de cozinhar enquanto não tenho um fogão.

Difícil foi ser Macho na hora de lavar toda a louça.

quarta-feira, abril 12, 2006

Slices of Life

Nessa Páscoa, para não engordar 10 kilos num feriado, combinei com minha namorada que não trocassemos ovos.

No entanto ganhei um crocante de uma amiga, um de sonho de valsa da empresa e um ao leite do meu pai.

Ótimo, só engordarei 8 kilos e meio.