quinta-feira, junho 29, 2006

20 e poucos...

Cada vez mais ouço que os 20 e poucos anos são os melhores da sua vida. É a época que que se alcança o melhor equilíbrio entre independência e responsabilidade.

Pertenço a tal faixa etária, sou um homem moderno, comprometido, moro sozinho, estou cercado de amigos. A felicidade total me espera...

Agora só falta eu comunicar isso a comgas, eletropaulo, telefonica, imobiliária, prefeitura, lavanderia, postos de combústivel...

quarta-feira, junho 14, 2006

Jantar a dois

Você descobre que não é um macho tão moderno quando, ao preparar um jantar a dois:

- Pega forno elétrico emprestado da mãe

- Bebe vinho em copo de refrigerante

- Coloca as velas e a manteiga no mesmo tipo de recipiente que, na verdade, é feito para abrigar amendoins

quinta-feira, junho 08, 2006

Elas com elas

Sou uma pessoa que evita as convenções. Simpósios também, mas isso não vem ao caso. Se todos usam preto, quero o branco. Se todos ouvem Jazz ouço Polka. Se todos vão para um lado vou para o mesmo para não ser atropelado.Todavia, em um aspecto específico, apenas vou com a maré, sento na janela do bonde, sou um “Maria-vai-com-as-outras”. Quando se trata de fantasia sexual, sou comum e mundano, tradicional, não projeto nenhuma loucura fora dos padrões, quero o que qualquer homem adulto brasileiro deseja: Uma relação com duas mulheres, bissexuais.

Bissexuais. Não me engano no termo. Muitos se referem aos elementos dessa fantasia como um homem e duas lésbicas. Engano comum. Um homem e duas lésbicas resultariam no máximo em duas mulheres embrenhadas em beijos, toques e afagos, observadas por homem, boquiaberto, num canto do quarto. Ainda que o interesse por tal fantasia exista, não a coloca no topo da lista. No segundo lugar talvez.

Talvez seja por causa de nossas mães. Freud, provavelmente, explicaria assim, esse nosso desejo de nos relacionar com duas mulheres ao mesmo tempo. Mas eu discordo. Minha mãe não tem nada a ver com isso, aliás, ela é a última coisa que passaria pela minha cabeça num momento desses. Quem sabe primas.

Quem sabe não haja explicação. Pode ser inútil perguntar. Um homem quando escala o Everest só entende o sentido de tudo que fez quando chega ao cume. Só o cume interessa. A jornada serve pra encher lingüiça, contar vantagem, o cume é que traz a revelação. Esta por sua vez, fica guardada para o alpinista. Não se sabe a razão. Pode ser porque a experiência seja transcendental, coisa do eu com o eu-mesmo sabe. A batalha contra o insucesso, o medo, a dor. Ás vezes é uma lei universal, só saberão o porquê aqueles que chegarem aqui em cima. Ou talvez não seja nada interessante o suficiente pra ser contado. Algo do tipo: “Nossa, é alto mesmo”.

Mesmo assim, todos querem o cume. O desafio é tentador demais para ser deixado de lado. Já ouvi esses palestrantes de auto-ajuda dizerem que cada um tem seu próprio Everest. O de 99% dos homens é um ménage-a-trois, os restantes são alpinistas.

segunda-feira, junho 05, 2006

Expresso

Não acredito na teoria de que, o que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil. As culturas são extremamente diferentes, o poder aquisitivo nem se compara, além é claro da habilidade com a bola nos pés. Porém, uma mania americana está cada vez mais próxima de se tornar brasileira. Os Cafés. Os estadunidenses são loucos por café, a ponto de formarem imensas filas nas portas dos Starbucks (gigante rede de cafeterias americana) por toda a nação. O brasileiro contando com a vanguarda paulista está tomando gosto pela coisa, ainda que, trocando os “chafés” extremamente fracos por encorpados expressos e preterindo o gordinho muffin por um discreto pão de queijo.

Na terra da garoa, chovem novas cafeterias a cada dia. O Fran´s Café foi um dos primeiros, com cardápio de cantina de escola, conquistou os paulistas aos poucos com uma infinidade de opções, além do grande atrativo de funcionar 24 horas por dia. Salvação do homem moderno nas madrugadas. Boêmio e faminto. Há também outros estabelecimentos do ramo que se destacam cada vez mais; como o não politizado Café Suplicy e o pecaminoso Santo Grão. Cada um com sua particularidade.

Característica comum a maioria, importada dos gringos, são as redes Wi-Fi. Estas redes sem fio possibilitam a conexão com a Internet de qualquer lugar do café, desde que seu dispositivo seja compatível com a tecnologia. Direto de sua confortável poltrona você pode trabalhar a vontade em seu notebook ou PDA favorito. Nada melhor para o homem que precisa trabalhar em trânsito. Enviar e-mails, acessar redes externas, consultar informações ou efetuar transações. Tudo isso num ambiente calmo e descontraído. Sem falsas promessas ou necessidades forçadas, a modernidade aqui é objetiva, facilita nossas vidas, ao ponto de não sabermos mais o que faríamos sem ela.

Esquecendo o corporativismo, o café moderno tem aplicações pessoais inegáveis. Arrisco dizer que é o melhor ponto de encontro já inventado. O ambiente é agradável, muitas vezes tem poltronas mais confortáveis que sua própria cama, o que invariavelmente nos faz pensar que precisamos de uma cama nova. Os atendentes são bem apessoados e nunca te “botam para fora” do estabelecimento. Se for a opção, pode-se gastar pouco, tanto dinheiro quanto calorias, afinal, café é barato e não engorda (falando do puro com adoçante é claro). Com uma neutralidade que beira o insípido, o Café agrada a gregos e troianos, caracterizando o “point” como um coringa. Não sabe onde ir, vá a um café. Caso esteja flertando com alguém peça um Moccha, doce e diferente. Se a companhia for uma namorada preste a ser dispensada tente um Café gelado, nunca se sabe qual vai ser sua reação e café quente queima. Já se for uma dessas conversas sérias com o sogro prove um Irish Coffe mesmo. Amargo e alcoólico.

Independente do uso coletivo, o que admiro mais nos cafés atuais é a possibilidade de aproveitá-los sozinho. Sem depender de ninguém. Nunca fui bom nisso, as pessoas olhando pra mim se perguntando porque eu estaria desacompanhado. Eu, incomodado, ficava fingindo que alguém ia chegar ou então fingia ligar para alguém. Mas não me sinto assim nos cafés modernos, seja com meu livro ou notebook me sinto a vontade com os outros companheiros solitários, aproveito o máximo de mim. Ponho as idéias no lugar. Tente você também. Escolha seu café. O meu é puro e com açúcar. Como a vida deve ser.

* Texto publicado na revista Absoluta de Maio de 2006

quarta-feira, maio 24, 2006

Caso ou compro uma bicicleta?

Minhas dúvidas na vida ficam cada vez mais esquisitas.

Estou com um dinheiro na mão e não sei se compro um Terno ou um Forno Elétrico.

Tem problema ambas opções me deixarem muito feliz?

sexta-feira, maio 19, 2006

Sim Senhora!

O que, anos atrás, poderia ser considerado heresia, contravenção ou até viadagem em países mais rigorosos, é cada vez mais normal. Sem precisar se travestir na frente dos amigos, como faziam os homens que sempre tinham a ultima palavra em casa (sim senhora), os machos estão cada vez mais botando as asinhas de dentro. Seja na escolha da cidade onde moram ou na balada de sábado os homens decidem muitas vezes suprimir suas vontades no intuito de agradar as amadas. Livres da obrigação de serem os chefes da relação, os homens muitas vezes deixam as mulheres tomarem as rédeas da situação.

Dos submissos podemos destacar dois grupos. O primeiro, mas não mais importante, é o grupo dos maleáveis. Estes, também chamados de “tantufaz” não ligam em ceder as suas vontades já que qualquer paixão os diverte. Sabem que se incomodarão menos do que a parceira em fazer o que não tem vontade. Por isso prontamente se dispõe a abdicar de suas vidas em favor das delas.

O segundo grupo engloba aqueles que não tem opção. São submissos porque é isso que podem ser. São freqüentemente chamados de “frouxos”, o que é uma inverdade visto a situação em que ficam quando acham que a mulher não vai gostar de algo que fizeram.

O ideal, como sempre parece ser inatingível. Nós que temos personalidade para exigir o que queremos temos que manter nosso direito, ao mesmo tempo saber que ir para o bar com os amigos no aniversário de 10 anos de namoro não é das coisas mais agradáveis a se fazer. O equilíbrio dá a relação a dose certa de respeito e individualidade que os dois participantes (ou quarenta e sete se você é um sultão do Oriente Médio) precisam para manterem-se mentalmente saudáveis. Nós temos que saber quando ceder e ao mesmo tempo não nos aproveitar da submissão delas. Tarefa fácil já que temos um histórico longo a despeito de tal posição.

Já as mulheres não conhecem o contrário, tudo isso é muito novo pra elas, historicamente falando. Para elas só deixo um conselho, não faça como o PT, se chegarem com muita sede ao pote derrubarão tudo e a sujeira pode ser difícil de limpar.

sexta-feira, maio 12, 2006

A ferramenta certa

Nada como relembrar nossos ancestrais quando temos um problema e assim superarmos com méritos unicamente próprios os obstáculos que a vida nos traz. O macho pré-histórico não tinha delivery, nem visita do técnico. Quando muito um bichinho morria em frente a sua morada e olhe lá. Mas nada além de um esquilo mal nutrido ou uma tartaruga cascuda. Superficialmente as necessidades obviamente mudaram, mas no fundo o que queremos quando ligamos pra pizzaria é a comida. O homem pré-histórico, não conhecendo o serviço de entrega, ou apenas não sabendo do imã de geladeria promocional, no mundo de hoje teria que sair de casa, ir pulando até o estabelecimento, quebrar a porta de entrada, quebrar alguns ossos dos humanos que estivessem na espera, bater com a clava na cabeça do pizzaiolo e arrastar a redonda até em casa. Nós sabemos que isso é um desperdício de energia. Porém existem circunstâncias em que a situação se inverte. Precisamos nós mesmo fazer o serviço sujo. Como? Fácil! É só ir até uma “mega store de construção”.

Nos serviços de casa estamos muito bem cobertos por tais lojas. Em São Paulo, por exemplo, existem uma porção delas, que vendem os mais diversos aparatos para a resolução de problemas domésticos. Não pense no entanto que são lojas comuns. Falamos de aqui de hangares de material: tampas de privada, sifões, espelhos de tomada, prateleiras e “Tês”. Ou benjamins. Na primeira vez que entrei numa dessas, tive certeza que errei em não dizer “Eu te amo” pra minha namorada na última ligação. Com certeza nunca mais sairia de lá vivo e que uma vez no meio daquelas gôndolas, o celular não teria mais recepção. Porém, para meu alívio, em um lugar coberto de profissionalismo e técnica não poderiam faltar técnicos profissionais. Estes, além conhecer cada pecinha de seu estoque também podem lhe indicar aonde ir e como não se perder. Estão prontos a te atender a hora que for – algumas “mega stores” funcionam 24 horas por dia. Portanto, deu uma dor de barriga durante a noite e não ficou satisfeito com o desempenho do vaso, é só correr pra lá.

Dia desses recorri a essa maravilha. Não ao vaso. Ou melhor, ao vaso também, mas prefiro não falar de tal assunto. Fui até uma dessas lojas. Um dos técnicos me ajudou a achar o setor de prateleiras. Após passar por três navios aparentemente naufragados e todos os personagens de Lost (que não me surprenderam em estarem lá), peguei três prateleiras de madeira, brancas, fixadas por três grossos pinos, de ferro, que por sua vez eram fixados por dois parafusos cada. Fácil.

Quando comecei a instalação percebi que precisaria de ajuda. Independente de ser um macho moderno que respeita seus ancestrais, reconheço quando não sou capaz de executar um serviço sozinho. Era um pouco mais complicado do que parecia. Tábuas de um metro e meio de largura não são fáceis de se segurar sozinho. Era um trabalho para dois. Um executava e o outro coordenava. “Isso, assim, continua, mais força.”. Gritei bastante. Após 1 hora e meia de trabalho duro e quatro reclamações por barulho incabíveis num domnigo, os nove pinos estavam fixos. O trabalho de encaixar as prateleiras ficou para mim. Três furos, três pinos, é só encaixar.

Infelizmente, não foi assim, o fabricante não especificou que a distância dos pinos tinha que ser exatamente igual a dos buracos, afinal o que são dois centímetros de diferença? Mas tudo bem, vou na loja e resolverei isso como um homem: chamo um técnico profissional e trago ele pra casa. Nem que seja a tapa.

* Texto publicado na Revista Absoluta de Abril 2006

quarta-feira, maio 10, 2006

Brinquedos.

Os lançamentos do ano no mundo dos video-games prometem. As melhorias em gráficos e jogabilidade são certas. Porém os protagonistas da vez são os joysticks.

Tanto o "controle" do Nintendo Wii como o do Playstation 3 trazem uma grande inovação na maneira de se jogar. Ambos possuem sensor de movimento. Este por sua vez faz com que a movimentação por si só do joystick de um lado para o outro, independente do acionamento de botões, possa comandar os movimentos na tela.

Ou seja, até que enfim virar o controle pro lado quando se quer fazer uma curva no jogo de corrida vai servir para alguma coisa. Só faltam agora botões com sensibilidade de pressão.

quinta-feira, maio 04, 2006

Justiceiros.

Na época da criação, Deus, ainda jovem, empreendedor e intuitivo, achou que seria legal criar o homem em duas versões. Um com “didi” e a outra com “dada”. Estas duas versões popularmente conhecidas como macho e fêmea, tem como elo de ligação maior seu encaixe perfeito. O didi entra na dada pra fazer bebê. Ou não. Deus teve a feliz idéia de colocar prazer nessa relação, sem imaginar nos problemas que isso ocasionaria. Foi enfim, inconsequente. Jovens.

Um dos problemas surgiu quando pela primeira vez, Eva disse que estava com dor de cabeça e Adão se viu ali deitado, ou de pé, não se sabe ao certo, as escrituras são confusas. Enfim, não demorou muito para Adão improvisar, e percebendo que daquele mato não sairia cachorro, muito menos periquita, inventou a masturbação. Nome científico para tocar uma bronha, mandar um cinco-contra-um, fazer justiça com as próprias mãos ou simplesmente bater uma.

O legado deixado para os homens solitários do mundo foi imensurável. Poucos feitos na humanidade tiveram tanto valor e importância. Quando digo solitários não digo apenas os que não tem cônjuge. Me refiro sim, a homens momentaneamente sozinhos. Ás vezes por um motivo qualquer, uma lembrança, um programa de TV ou o inquietante e surpreendente grito da vizinha dispara a necessidade do macho se “didivertir”. Basta realmente isso, ainda que as mulheres fiquem indignadas é real. Como é possível se animar tanto com tão pouco. Não sei, mas basta um segundo e já estamos prontos. Ironicamente, esta é uma qualidade a qual não podemos controlar, o que por vezes causa um certo desconforto.

Não tem como negar, homens se masturbam. Sempre. Estejam namorando ou não. Ainda que a freqüência seja ínfima, comparada aos seus 13 anos, a atividade tem extrema importância na vida do Macho Moderno. Seja para se desestressar de um longo dia de trabalho ou para se preparar para uma noite inesquecível. A atividade tem faculdades relaxantes capazes de curar até bico de papagaio, dizem especialistas. O benefício do treinamento é evidente, se efetuado algumas horas antes do ato sexual fará com que a mulher peça mais. E o homem consiga dar.

É bom deixar as coisas claras, transar e se masturbar não ocupam o mesmo lugar, um não substitui o outro, um movimento de mão não é um coito. Apesar de proporcionar sensações similares tem características totalmente diferentes. A transa é como o tênis, os participantes interagem, se esforçando menos, ou mais, dependendo da disposição. Cada partida é diferente da próxima, tem dias bons e ruins. Já a masturbação é como jogar squash sozinho, geralmente se bate a bolinha na parede até a exaustão, ou como se diz comumente, bota-se a língua pra fora.

Então, homens, continuem assim, faz bem e não traz pêlos às mãos, mulheres aceitem, melhora a performance sexual e evita chifres. Esse é um direito dos homens, e temos que lutar por eles, nem que seja com as próprias mãos.

terça-feira, maio 02, 2006

Consistência

Não me aflige o fato da vida endurecer cada vez mais.

O que me preocupa é o ponto de estresse da dita cuja.

terça-feira, abril 25, 2006

Dentro da Caixa.

As fotos de minhas antigas namoradas, nunca rasguei. Não me dão saudades. Mentira. Não representam nada pra mim.Verdade parcial. Não tem como dizer que algo que um dia significou tanto simplesmente se apague como uma velha Polaroid.

Quando nos envolvemos em um relacionamento de verdade, seja um noivado de sete anos ou uma leviandade com uma prima de segundo grau, doamos parte de nós ao conjunto que formamos com essa pessoa. Certas palavras, apelidos e lugares ficarão eternamente vinculados a soma dos dois. Nem seu, nem dela, dos dois.

Isso não é maldição, nem digno de pesar, é apenas parte do que somos. Uma parte sua ainda vai chamá-la de “gatinha”, parte dela ainda vai lhe chamar de “gostoso”. Não que isso tenha alguma coisa a ver com gostosura. E muito menos você a confunde com algum tipo de felino, uma onça quem sabe, se o desligamento for recente.

Mas como seguir a vida com todo seu passado tão presente. As memórias, as imagens, sons e cheiros, sempre mexendo com sua cabeça, lhe trazendo aquele constante temor de ato falho. Os fotos só se rasgam fisicamente. Esse desrespeito consigo mesmo não é capaz de apagar as imagens gravadas.

Eu tenho um processo. Começo tirando as fotos dos murais, dos porta-retratos na cabeceira da cama, do fundo do celular. Acho um lugar especial, um depósito muito bem cuidado, isolado, separo numa caixa adequada todos os restaurantes de tardes de sábado, todas as pousadas simples e mágicas de fins de semana de setembro, não deixo pra trás nem aquelas risadas gostosas deitados no sofá da casa dela. Com o cuidado que se pega um jogo de copo de cristais que se ganha de herança, daqueles que queria muito, mas sabe-se que nunca vai usar, deposito tudo no fundo dessa caixa. Fecho vagarosamente, deixando a tampa deslizar aos poucos, assisto esse eclipse permanente de lembranças sabendo que nunca observarei algo igual. Só similar. Coloco numa estante, para me esperar como aquela bonita edição da Divina Comédia. O Inferno, O Purgatório e O Paraíso todos juntos, uma obra-prima que dificilmente vou ler por completo. Apenas gosto de ter, acho importante. Enfim fecho o depósito, sem ter que olhar pra trás. Só levo de lá a experiência necessária para seguir em frente.

Na vida, seguimos colecionando novo material. O passar dos anos deixa os registros mais nítidos, mais fortes, admiramos novos contrastes, interessantes e reconhecemos uma má composição com muito mais rapidez. O aperfeiçoamento nos faz acreditar que a foto perfeita parece estar cada vez mais próxima. Se tal coisa fosse possível. No fundo, todos nós, românticos e realistas sabemos que o amor acaba, a paixão passa e o fim é solitário. Se você não está sozinho (mesmo que alguém esteja o velando) é porquê ainda não é o fim. Não levamos nada, nem ninguém daqui.

Nas caixas sim as coisas fluem como supomos que devem fluir. Não precisamos nos render a insensíveis verdades ou doloridas conclusões. Nas caixas, o fim é hollywoodiano. Velhinhos de mãos dadas. Amor eterno. Paixão contínua. São assim, como verdadeiramente são.

segunda-feira, abril 24, 2006

Um pra você, um pra mim!

Ao lado da namorada, os dois lados do feriado.

Assisti 4 jogos de futebol, um treino e uma corrida de F1. Com a participação especial dos restos do Open Couch: ovinhos de amendoim e cerveja.


Por outro lado também fui ao centro pra comprar material pra fazer sabonete artesanal e compartilhei uma pizza com a sogra no fim do Domingo.

Justo.

quinta-feira, abril 20, 2006

Open Couch

Na confraternização de inauguração do meu sofá foi fácil ser Moderno. Pedi pizza, servi ovinhos de amendoim e Itaipavas.

Nada de cozinhar enquanto não tenho um fogão.

Difícil foi ser Macho na hora de lavar toda a louça.

quarta-feira, abril 12, 2006

Slices of Life

Nessa Páscoa, para não engordar 10 kilos num feriado, combinei com minha namorada que não trocassemos ovos.

No entanto ganhei um crocante de uma amiga, um de sonho de valsa da empresa e um ao leite do meu pai.

Ótimo, só engordarei 8 kilos e meio.

terça-feira, abril 11, 2006

Slices of Life

Um problema de matemática

Comprei três prateleiras para instalar eu mesmo em casa.

Cada prateleira é presa por três pinos.

Executado o trabalho o que temos?

Três prateleiras instaladas?

Não, uma prateleira instalada e seis pinos que talvez sirvam de porta bonés.

domingo, abril 09, 2006

Slices of Life

Nada como uma calma tarde de Domingo trabalhando em seu Home Office tomando uma café expresso que fez em sua própria máquina.

Só faltam o Home Office e a máquina de expresso.

quinta-feira, abril 06, 2006

Slices of Life

Fui encontrar uns amigos saído direto do trabalho.Trajava Tênis estilo Vans vintage preto, jeans premium, camiseta dos rolling stones tradicional preta e blazer preto risca de giz.

Metade dos meus amigos me elogiou.
A outra me comparou ao Didi Mocó.

OBS: Metade dos meus amigos se vestem bem, a outra compra roupa em papelaria.

quarta-feira, abril 05, 2006

Slices of Life

Numa tarde dessas, conversando com um amigo pelo msn:

- Cara, comprei meu sofá!
- Tesão cara, parabéns! Como é?
- É um dois lugares mais chaise longue em Chenile.
- Chenile é bacana.
- E sua casa? Já tá completa?
- Agora só falta chegar a mesa da sala. Daí poderei fazer umas compras de macho, tipo roupa.
- Nada como sentir a testosterona pulsando nas veias.

terça-feira, abril 04, 2006

O que os homens querem?

A poluição visual é tema recorrente no mundo inteiro e São Paulo não foge a regra. Os outdoors, backlights e cartazes que empapelam a cidade são um problema. Até que ponto nossos olhos são obrigados a ver o que os publicitários querem mostrar? Se o pior cego é aquele que não quer ver, por muitas vezes eu não vejo um palmo a frente de meu nariz Mais do que as propagandas eleitorais estampando a face dos dinossauros da política, mais do que os multi coloridos anúncios das Casas Bahia que oferecem as menores parcelas (ainda que em maior quantidade), a comunicação externa que tem que ser combatida com mais urgência, que mais fere a integridade visual das pessoas e que ofende mais do que qualquer uma é a propaganda de cueca.

A mais nociva imagem aos olhos do Macho Moderno, sem dúvida alguma é a propaganda de cueca. Quem nunca teve a experiência traumática de num promissor dia de sol e bom humor, no trânsito a caminho do trabalho se deparar com a imagem do Daniel, cantor sertanejo, vestindo apenas uma “cuequinha” na imensa janela traseira de um ônibus. Não é questão de homofobia ou insegurança com a sexualidade, mas sim uma questão de respeito ao consumidor. O cantor sertanejo, que até admiro no âmbito musical, não pode ser considerado argumento de venda em hipótese alguma nesse tipo de produto masculino. Ainda que seja de extrema importância conhecer o corte e caimento da peça em questão, a personificação de tal em uma celebridade só nos afasta da idéia de adquirir tal produto. A imagem residual do anúncio afasta qualquer possibilidade de conseguir se olhar no espelho trajando a tal cueca.

Os publicitários podem argumentar que muitas vezes, quem decide o que vai estar dentro das calças dos homens são as mulheres. Assim com esse tipo de anúncio são elas a quem eles atingem. O poder de decisão de compra é fator de primeira importância nas estratégias de marketing dos fabricantes, afinal o interessante é seduzir o cliente que decide e não necessariamente o que usa. Porém, será que tal comportamento não acaba sendo forçado pelas próprias agências de propaganda? Acostumadas com os valores sociológicos de outrora, acabam não dando opção ao homem que deseja trocar aquelas antigas cuecas do estilo “minha-mãe-comprou-pra-mim” por modelos que realmente o agradem. Só falta ele achar.

Outro dia, antes de uma viagem internacional entrei num site de uma das melhores fabricantes de underwear do mundo, com o objetivo de pré-selecionar minhas compras. Aproveitando o passeio pela América queria comprar cuecas de qualidade e renovar a cansada primeira gaveta de meu armário. Acessei o site, na minha sala de trabalho, aproveitando que havia voltado mais cedo do almoço. Ao clicar no link de produtos encontrei uma porção de homens seminus fazendo caras e bocas, cheios de charme pra cima de mim. Eu gosto de cuecas, não de homens. A visão desagradável acabou com meu dia, um pouco por ter desanimado quanto as peças pretendidas, porém muito mais pelo fato de ter percebido minha chefa atrás da minha mesa durante toda a navegação.

Pensando em situações desagradáveis como esta, apelo aos senhores publicitários, vendam o produto para nós, tentem nos mostrar o queremos ver, agradem nossas vistas, não pode ser tão difícil assim, vocês já fazem tantas coisas bonitas, veja os anúncios de lingerie, maravilhosos.

* Texto publicado na Revista Absoluta de Março de 2006

terça-feira, março 28, 2006

Questão de caimento

Não existe mulher feia, nem você que bebeu pouco. Mulheres são diferentes. Só isso. A velha história de que toda panela tem sua tampa faz sentido. Assim o mundo se mantem em equilíbrio. Essa história de feio e bonito só funciona pra classificar foto de revista. No mundo real mais do que o visual da “roupa” o que importa é o caimento.

Muitos procuram pela personificação da própria Vênus de Milo, acham que só podem ter como companheira aquela que todos admiram. Quando conseguem vangloriam-se com os amigos de que pegou "aquela" gostosona. Porém no fundo, muitas vezes você está comprando um terno fabuloso da Ermenegildo Zegna e sapatos Gucci de bico fino, que apesar de te deixar com o visual maravilhoso, deixa seus pés implorando por espaço e não te permite nem coçar as costas. Muitas vezes uma camiseta branca larga e um jeans gasto cairiam melhor.

Todo homem sabe do que estou falando. Tem mulheres que passam na nossa vida, que não se explicam. Você não entende porque se atrai e na verdade nem se preocupa com isso. Como que, por encantamento cai nas suas graças e te leva pras nuvens. Seus amigos não entendem, seus pais olham estranho e sua vó diz que ela tem cara de travesti. Mas você não se importa. Já checou para saber se ela é ou não um travesti.

Os gostos são variados. Muitas vezes até criamos um padrão. Uns gostam de baixas, outros de morenas ou mesmo nipo-germânicas. Eu, por exemplo, sempre fui fã de gordinhas, morenas e patricinhas. Mas sou bem maleável. O cabelo pode ser castanho claro, a roupa pode ser um pouco desleixada de vez em quando. Mas tem que ser gordinha. Nem que seja de cabeça, daquelas que adoram comer. Nunca conseguiria namorar uma vegetariana. É contra meus princípios.

Pense nisso, tenho certeza que se livrando da obrigação de gostar do que todos as coisas vão ficar mais fáceis e satisfatórias. Encontrar a roupa perfeita não é fácil, geralmente tem que ser sob medida, eu achei a minha, não sobra nas mangas, o colarinho não aperta, parece sempre nova e não tem nada mais confortável.