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quinta-feira, novembro 27, 2008

Super-exposto.



Em fotografia (ou cinema) dizem que algo ficou super-exposto quando por algum problema (e ás vezes de propósito) a imagem aparece muito clara. Deixaram entrar muita luz, seja por espaço ou tempo demais. A imagem fica “lavada”, esbranquiçada, o que impede que se veja o retrato como ele realmente é, com todos seus detalhes, defeitos e qualidades. Por muitas vezes essa imagem pode parecer melhor ou pior do que verdadeiramente é, mas independente disso, uma coisa é certa, é diferente do original.

Por aqui, me exponho cada vez mais, deixando entrar a luz que for, nunca me preocupando muito com tempo ou velocidade. Prefiro pecar pelo exagero, melhor ver uma realidade brilhante mais clara do que é do que escura e indecifrável. Não tenho problemas com isso, acho o preço baixo pelo prazer que tenho com os muitos comentários positivos que recebo. E não falo (exclusivamente) daqueles que elogiam meus textos, e sim daqueles que se identificam, e de alguma maneira não se sentem sozinhos, quando passam por dificuldade e indagações como as minhas.

O fato é que eu não estou sozinho nesse mundo e não sou anônimo. De diversas formas, o que escrevo aqui pode influenciar minhas relações sociais. Como já disse um tempo atrás, o que escrevo aqui, genericamente ou não, pode ser entendido como o receptor quiser. Pode vestir a carapuça ou vestir em alguém. Além disso, minhas opiniões, atitudes, credos, criam uma persona que não necessariamente sou eu.

Como uma imagem super-exposta, o meu retrato aqui não corresponde exatamente ao original. Tem a mesma silhueta, mas esconde o que não quero mostrar e destaca o que nem é tão notável assim. Aparento aqui o que quero, ajusto a câmera para mostrar o que acho mais interessante, respeitando duas coisas. A vida alheia, que não me pertence, o que é interessante para os leitores, ainda que não seja a coisa mais marcante ou importante para minha vida.

Não gosto de desagradar aqueles que me acolhem e vivem a minha volta por causa da imagem difusa construída aqui, mas espero que todos que passam por aqui, lêem, analisam, entendam que escrevendo, sou quem preciso ser, dou o que me pedem, não sou melhor ou pior, sou uma pessoa extremamente comum. O mais importante para aqueles que me conhecem é entender que um dos maiores prazeres da minha vida é escrever, é sentir que ajudei alguém, fiz rir, se emocionar, sonhar, mesmo que seja apenas uma pessoa, isso sou eu, e se for errado ou atrapalhar a vida de qualquer um, tentem me perdoar, não quero perder vocês, afinal, sem tudo que eu vivi e vivo com todos vocês nada existiria.