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segunda-feira, setembro 27, 2010

Kit Segunda

Um Vídeo:


Uma Música:

Uma Imagem:
Bored
A imagem não é de outro mundo, mas fui eu que cliquei, então me culpem.

Uma Risada:
Via 9Gag

Um Texto:

UMA AMIGA inventou um jeito de curtir sua fossa. Depois de um dia de trabalho, de volta em casa, ela se enfia na cama, abre seu laptop e entra no Facebook.

Ela não procura amigos e conhecidos para aliviar o clima solitário e deprê do fim do dia. Essa talvez tenha sido a intenção nas primeiras vezes, mas, hoje, experiência feita, ela entra no Facebook, à noite, como disse, para curtir sua fossa. De que forma?

Acontece que, visitando as páginas de amigos e conhecidos, ela descobre que todos estão muito bem: namorando (finalmente), prestes a se casar, renovando o apartamento que sempre desejaram remodelar, comprando a casa de praia que tanto queriam, conseguindo a bolsa para passar dois anos no exterior, sendo promovidos no emprego ou encontrando um novo "job" fantasticamente interessante. E todos vivem essas bem-aventuranças circundados de amigos maravilhosos, afetuosos, alegres, festeiros e sempre presentes, como aparece nas fotografias postadas.

Minha amiga, em suma, sente-se excluída da felicidade geral da nação facebookiana: só ela não foi promovida, não encontrou um namorado fabuloso, não mudou de casa, não ganhou nesta rodada da loto. É mesmo um bom jeito de aprofundar e curtir a fossa: a sensação de um privilégio negativo, pelo qual nós seríamos os únicos a sofrer, enquanto o resto do mundo se diverte.

Numa dessas noites de fossa e curtição, minha amiga, ao voltar para sua própria página no Facebook, deu-se conta de que a página não era diferente das outras. Ou seja, quem a visitasse acharia que minha amiga estava numa época de grandes realizações e contentamentos. Ela comentou: "As fotos das minhas férias, por exemplo, esbanjam alegria; elas não passaram por nenhum photoshop, acontece que são três ou quatro fotos "felizes" entre as mais de 500 que eu tirei".

Logo nestes dias, acabei de ler "Perché Siamo Infelici" (porque somos infelizes, Einaudi 2010, organizado por P. Crepet). São seis textos de psiquiatras e psicanalistas (e um de um geneticista), tentando nos explicar "por que somos infelizes" e, em muitos casos, por que não deveríamos nos queixar disso.

Por exemplo, a infelicidade é uma das motivações essenciais; sem ela nos empurrando, provavelmente, ficaríamos parados no tempo, no espaço e na vida. Ou ainda, a infelicidade é indissociável da razão e da memória, pois a razão nos repete que a significação de nossa existência só pode ser ilusória e a memória não para de fazer comparações desvantajosas entre o que alcançamos e o que desejávamos inicialmente.

Não faltam no livro trivialidades moralistas sobre o caráter insaciável de nosso desejo ou evocações saudosistas do sossego de algum passado rural. Em matéria de infelicidade, é sempre fácil (e um pouco tolo) culpar a sociedade de consumo e sua propaganda, que viveriam às custas de nossa insatisfação.

Anotei na margem: mas quem disse que a infelicidade é a mesma coisa que a insatisfação? E se a infelicidade fosse, ao contrário, o efeito de uma saciedade muito grande, capaz de estancar nosso desejo? Que tal se a infelicidade não tivesse nada a ver com a ansiedade das buscas frustradas, mas fosse uma espécie de preguiça do desejo, mais parecida com o tédio de viver do que com a falta de gratificação? Em suma, você é infeliz porque ainda não conseguiu tudo o que você queria, ou porque parou de querer, e isso torna a vida muito chata?

Seja como for, lendo o livro e me lembrando da fossa de minha amiga no Facebook, ocorreu-me que talvez uma das fontes da infelicidade seja a necessidade de parecermos felizes. Por que precisaríamos mostrar ao mundo uma cara (ou uma careta) de felicidade?

1) A felicidade dá status, como a riqueza. Por isso, os sinais aparentes de felicidade podem ser mais relevantes do que a íntima sensação de bem-estar;

2) além disso, somos cronicamente dependentes do olhar dos outros. Consequência: para ter certeza de que sou feliz, preciso constatar que os outros enxergam minha felicidade. Nada grave, mas isso leva a algo mais chato: a prova de minha felicidade é a inveja dos outros.

O resultado dessa necessidade de parecermos felizes é que a felicidade é este paradoxo: uma grande impostura da qual receamos não fazer parte e que, por isso mesmo, não conseguimos denunciar.


Via Contardo Calligaris

segunda-feira, setembro 13, 2010

Kit Segunda


Um vídeo:


Uma música:


Uma imagem:

A Mercedes in Paris

Via Stuck in Customs - Trey Ratclif

Uma risada:



Um texto:


Às vezes sinto que as coisas estão completamente fora do lugar. Tudo bem, sei que sou um cara chato que observa tudo, mas algumas coisas são tão óbvias que fico ainda mais indignado quando elas passam batido pela sociedade como um todo. Bom, aqui no meu Blog eu costumo falar de Egos e é claro que não vou fugir demasiadamente do tema, só um pouquinho…

Nesse final de semana saiu uma pequena reportagem falando bem de uma grande rede de supermercados. Era algo sobre eles estarem vendendo uma sacola de compras feita com material reciclado, daquelas que você tem que levar todas as vezes que vai às compras. Bacana, politicamente correto, super mega ecologicamente correto, dirão os cidadãos comuns.

Bem, faz tempo que não sou um cara comum. Assim sendo, vi a reportagem como uma afronta à minha parca inteligência. Vou explicar: Como é que uma revista de grande circulação faz uma reportagem enaltecendo a atitude ecologicamente correta de uma rede de supermercados, sendo que eles mesmos são responsáveis pela distribuição de sacolas plásticas durante anos e anos? Oras bolas, não são essas sacolinhas de plástico grandes responsáveis pela poluição do meio ambiente? Pior, ainda cobram pelas sacolas certinhas?

Em suma, na minha mente poluída entendo o seguinte: Os safados cobram por algo que estão lançando que evitaria o estrago do meio ambiente, porém, estrago que eles mesmos têm feito por anos a fio… Na boa, é o mesmo que pagar pela destruição que eles vêm fazendo há anos…

No meu entender eles tinham que dar de graça a tal sacola corretinha e ainda por cima pedir desculpas ao povo por terem poluído o meio ambiente por tanto tempo. Estou exagerando? Pode ser que sim se analisarmos superficialmente a questão, que é o que todo mundo faz em TODAS as questões da vida. Mas se dermos uma mergulhadinha no assunto, perceberemos que não há exagero algum. E isso vale pra tudo…

Entrando no mundo dos Egos, vejam essa questão que a sociedade impôs como “falta de educação”:

Alguém se mete onde não é chamado. Você então diz: “Ei, isso não é da sua conta”!

Gente, é só a verdade, não é? Pois bem, então alguém me explica por que é que o xereta que se mete onde não é chamado fica tão ofendido quando dizemos apenas e tão somente a verdade?

Num cenário ainda mais absurdo, um dia desses conversava com amigos e quando me perguntaram algo que absolutamente não me dizia respeito, respondi naturalmente: “Não tenho nada a ver com isso”. O mesmo que ter dito: Ei, isso não é da MINHA conta.

Deu no mesmo, as pessoas se sentiram ofendidas pela minha… minha… sinceridade em não querer me meter onde não deveria. Ou seja, todo mundo quer que a gente cuide e se meta na vida dos outros. Se eu falo para alguém cuidar da própria vida se ofendem. Se falo que eu quero cuidar apenas da minha vida, se ofendem da mesma forma. Vai entender essa gente.

Olha, na minha cabeça isso é ridículo.

Tenho uma teoria: Se cada um de nós parasse de se meter na vida dos outros, parasse de se preocupar com o que NÃO nos diz respeito, tenho certeza de que eliminaríamos mais de 70% dos nossos supostos problemas…

Não entendo como é que as pessoas querem tanto ser felizes se passam a vida toda se preocupando e se envolvendo com problemas que não são seus. E mais, permitindo que gente de fora se meta em sua vida. Às vezes até pedem isso.

É difícil entender mesmo. A parte boa é que me pagam para que eu ensine como é que se enxerga o óbvio…

quarta-feira, setembro 08, 2010

segunda-feira, agosto 30, 2010

Kit Segunda

Hoje começa o Kit Segunda, minha pequena colaboração para encararmos melhor esse fatídico dia.

O Kit Segunda é formado por uma música, um vídeo, uma imagem, uma risada e um texto. Espero que faça suas segundas começarem um pouco melhores.

Uma música:


Um vídeo:


Uma imagem:

Va todo tan rapido

Uma risada:



Um Texto:

Dia desses, eu estava sentada no sofá de casa, lendo, quieta, desprevenida, quando percebi que ela foi chegando, se aproximando devagarzinho, até que se acomodou, me abraçou e ficou. Não sei se você tem isso, talvez todos nós tenhamos, uns mais, uns menos – essa companhia inesperada de uma tristeza que vem sem avisar, sem querer saber dos planos para aquele dia.

Eu me lembro de quando era criança e vinha essa tristeza, essa visita sempre muito repentina, muito exterior a mim. Eu estava brincando, feliz – até hoje, sou dessas que costumam estar felizes –, e chegava essa penetra, essa intrometida, que vinha sem avisar e também não avisava quando ia embora. E ela ficava, e meu ânimo, minha vontade, esses iam embora, e o jeito era aceitar.

Tristeza sem motivo. Aceito sem reclamar. Quando adolescente, eu tentava fugir, correr – depois voltei a aceitar, como na infância. Se a tristeza sem motivo me abraça, eu a abraço de volta, que nosso encontro é menos dolorido.

A tristeza sem motivo é interessante. É bem diferente da tristeza com motivo. Minhas tristezas com motivo, eu sempre tento curá-las com raciocínio. Pode ser vício, cálculo, pretensão. Mas eu tento e, muitas vezes, funciona. Se estou triste porque algo não deu certo, me convenço com argumentos de que foi melhor assim. Se, definitivamente, não foi melhor assim, faço um esforço para relativizar a questão. Humilho minha questão pessoal, colocando na frente dela os problemas do mundo. Envergonho minha questão temporal, esfregando na cara dela o tempo. Ou simplesmente rio da minha questão séria, fazendo pouco dela. Forço, o tempo todo, um duelo entre minha razão e meus sentimentos. Às vezes, leva tempo, mas a razão ganha. Sempre ganha. E lá estou eu, feliz de novo, felicidade nem sempre espontânea, alegria muitas vezes conquistada à força.

Mas com a tristeza sem motivo, esse método não funciona.

Não há espaço para duelos. Não há argumento que intimide uma tristeza tão pura, tão desconectada de raciocínios. Ela é tão distante de qualquer pensamento que não o entenderia, ela não se encaixa em pensamentos, ela não ri deles, ela nem os vê. Se tento argumentar, ela não me responde de volta. Se insisto, ela me abraça mais forte, me aperta, tenta me machucar. Melhor não competir. Melhor, nessas horas, deixar a hora para ela. Porque qualquer palavra é inútil, qualquer racionalização é cansativa e boba, e o tempo, afinal de contas, vai passar, e ela vai acabar indo embora, sem dizer a que veio, sem explicar se foi motivada por nada ou por todas as coisas juntas.

O bom é que, notei recentemente, a tristeza sem motivo gosta de chá quente.

Não sei a sua. A minha gosta.

Ela ignora qualquer argumento, ela não se deixa distrair facilmente por livros e filmes, ela não entende o mundo, mas se acalma com uma boa xícara de chá quente. Não cappuccino ou café: chá quente. Sopa, também. Já reparei. Ela se estressa com palavras, mas se acalma com sopa. E com abraços. Ela se sente incomodada com o mundo, mas talvez seja mais com o mundo adulto, porque aceita um gibi. Ela gosta de sol, de ar fresco. De ficar próxima à natureza – perto do mar, de um rio, uma montanha. Ela gosta, se acalma, agradece e vai embora.

Não me pergunte por quê.

Mas, como dizia Clarice Lispector, não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento… Se você costuma receber uma tristeza que não quer ser entendida, não sei. Mas eu costumo e, quando ela aparece, ofereço-lhe uma boa xícara de chá.